Geral
Tema da redação do Enem ajuda a debater etarismo, dizem professores
Para especialistas, exame trouxe um tema relevante e atual
Segunda-feira, 10 Novembro de 2025 - 11:30 | Agência Brasil

O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, ajuda a promover debates atuais como violações de direitos e etarismo, que é o preconceito contra uma pessoa por causa de sua idade.
A avaliação é de professores ouvidos pela Agência Brasil neste domingo (9).
Para a professora de redação Bárbara Soares, que atua em Brasília, o exame trouxe, mais uma vez, um tema relevante e atual, tendo em vista o envelhecimento da população e a necessidade de combate ao etarismo.
Além disso, relações possíveis com violações de direitos, como a descoberta sobre os desvios de recursos das aposentadorias de brasileiros e a necessidade de novas políticas públicas poderiam ser abordadas na prova.
“Há uma grande preocupação de como proteger essas pessoas. O Enem coloca uma lupa sobre um problema que está relacionado a grupos mais vulneráveis e de que premissas constitucionais estão sendo violadas”, afirmou a docente.
Recorrência - A professora recordou que, há dois anos, o Enem tratou sobre a invisibilização do trabalho de cuidado de mulheres.
“Nós precisamos de uma política nacional de cuidado. Nós precisamos pensar sobre isso de uma maneira mais estruturante mesmo. Eu acho que é exatamente isso que eles querem dos alunos”.
O professor Thiago Braga, que dá aulas no Rio de Janeiro, também contextualiza que, em 2070, quase 40% da população brasileira será de idosos.
“É uma discussão feita interdisciplinarmente na escola. Todos eles sabem, por exemplo, que a pirâmide etária brasileira está passando por uma transformação importante nesse momento”, pondera.
Por isso, o professor entende que os textos motivadores podem ter uma importância fundamental para o direcionamento temático. “Lembrando que a gente tem um estatuto da pessoa idosa no Brasil, que é de 2003. Pode ser uma boa referência para que os alunos usem [nas redações).”
Repertórios - A professora de redação Rayana Roale, que também trabalha no Rio de Janeiro, considera o tema de complexidade mediana, e lembra que o assunto também foi abordado na Prova Nacional Docente (PND). Ela explica que a questão da idade perpassa todas as camadas da sociedade.
“Acredito que não vai ser um tema muito difícil de abordar porque existe muito repertório e informações disseminadas sobre isso”.
Os professores avaliam que uma outra tônica que poderia ser trazida é de como a “sociedade produtiva” tende a deixar as pessoas mais velhas de lado.
Professora de redação, Michele Marcelino, de São Paulo, considera que o exame acertou “em cheio” ao trazer para o debate a questão. “O tema permite discutir o etarismo, os direitos das pessoas idosas e os problemas que elas enfrentam na sociedade contemporânea, como abandono e preconceito”.
Ela acrescenta que a motivação vai ao encontro das mudanças sociais significativas no país. “Trazer esse tema à luz não apenas é pertinente, mas também acessível aos estudantes, que não devem ter dificuldade em desenvolver uma reflexão consistente”.
Debate importante - A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, defendeu que o tema provoca debate sobre os desafios para o acesso ao trabalho digno, para acesso à previdência social e à saúde pública de qualidade.
"Todos esses desafios demandam o desenvolvimento de políticas públicas. Esse aspecto é muito importante e também traz debate social e cultural que diz respeito à nossa compreensão sobre as pessoas mais velhas".
Ela acrescenta que, graças à democratização do acesso ao ensino superior, o perfil dos alunos mudou muito. "A gente tem a felicidade de ver pessoas com mais de 60, 70, às vezes 80 anos realizando o sonho de estar dentro da sala de aula ao lado dos mais jovens. Isso é muito importante".
Convívio e respeito - No início deste mês, a Agência Brasil publicou a história de três médicos especialistas que, com mais de 80 anos, continuam na ativa, vencendo preconceitos. Na mesma série especial, a reportagem ouviu especialistas que apontaram o convívio entre gerações como receita de sucesso contra o etarismo.
Em junho do ano passado, para marcar o mês do orgulho LGBTQIA+, a Agência Brasil debateu a necessidade de políticas públicas, saúde especializada e respeito à diversidade no envelhecimento dessa população.
Últimas Notícias
- Racismo - 09:09 Mulher é presa por falas racistas contra segurança de shopping na Capital
- Exposição - 08:58 Mostra do Coletivo Enegrecer segue aberta até o fim de junho na FCMS
- Literatura - 08:32 Biblioteca Nacional abre inscrições para Prêmio Literário 2026
- Poder Judiciário - 08:12 Prêmio Juíza Viviane Vieira do Amaral recebe inscrições até 20 de junho
- Jardim das Macaúbas - 07:58 Homem é encontro morto na Capital
- Oportunidade - 07:42 Funsat anuncia 1.009 vagas de emprego
- Oportunidades - 07:32 Suzano abre novas vagas de emprego para suas operações em 2 cidades de MS
- Economia - 07:00 Campo produzirá 29,1 milhões de toneladas
- Charge - 06:21 Invasores
- Corumbá - 18:50 Rádio Cidade 88.5 exibe jogos da Copa do Mundo

