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Cabeleireiro é alvo de ofensas racistas e preconceituosas em ensaio fotográfico

O que era para ser uma foto de trabalho como modelo acabou virando pesadelo

Járiz é cabeleireiro e modelo

O que era para ser uma foto de trabalho como modelo acabou gerando um episódio de preconceito e um pesadelo para Járiz Beor, de 30 anos. Ele é cabeleireiro especialista em cachos e crespos e também trabalha como modelo.

Járiz foi contratado para fazer fotos para uma loja de roupas, fez o ensaio e quando foram postadas nas redes sociais do estabelecimento os ataques de racismo começaram. Foram publicados comentários com teor preconceituoso e racista. Em uma das fotos houve uma comparação do cabeleireiro e modelo com pessoas em condição de rua.

“Achei que era uma reportagem sobre moradores de rua. A Covid-19 atinge com maior intensidade moradores de rua”, é um dos comentários. Outra pessoa opina com a seguinte frase: " o cara da foto principal lembra esses moradores de rua”. Um outro traz mais uma depreciação: “Deus, leve esse garoto no cabeleireiro".

Os comentários racistas foram expostos na foto de Járiz. A equipe da loja manteve as publicações e se posicionou respondendo cada comentário afirmando que não compactua com posições preconceituosas. O jovem modelo e cabeleireiro lamenta e afirma que situações como esta são, infelizmente, corriqueiras em sua vida.

Járiz explica que é bem resolvido com aparência, raça e sexualidade. “Esse tipo de coisa não me atinge mais, apenas gera em mim um desconforto momentâneo, mas não me atinge emocionalmente", ressalta.

“Meu posicionamento e a vontade de expor essa situação é para que pessoa com o perfil de cabelo como o meu ou cor de pele mais retinta, que não está bem resolvida consigo mesma não sofra com isso. Já que como pessoas pretas com cabelos crespos sofrem com isso diariamente, e a maioria tem crise de identidade porque não foi ensinado a se amar como é", afirma.

Járiz já foi procurado por alguns advogados que se propuseram a dar o início a uma ação judicial contra os autores dos comentários. No entanto ele ainda não decidiu sobre a possibilidade de acionar judicialmente essas pessoas. O cabeleireiro e modelo faz ainda uma reflexão sobre situações como essa. " Então como eu entendo que o problema não está em mim e sim no coração de quem pratica o preconceito o racismo mesmo que velado, que outras pessoas possam entender isso Também e se aceitarem como realmente é sem precisar ser julgado por isso”, salienta.