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Campo Grande

Tarifas de ônibus mais baratas em horário de menor fluxo

Sugestão visa incentivar passageiros a tomarem ônibus quando coletivos estiverem mais vazios

(Foto Luciano Muta)

Estão em debate na Câmara Municipal de Campo Grande sugestões para reduzir o problema da lotação nos ônibus do transporte público na Capital.

Em reunião na sexta-feira passada, 9 de Abril, uma das ideias colocadas para estudo foi a redução do valor das tarifas em horário de menor fluxo.

O representante da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) Roberto Oshiro é um dos defensores dos valores diferenciados.

“No horário de pico o valor total da tarifa, nos outros horários, um valor menor para incentivar a população a utilizar em horários diferenciados, assim como funciona nos aplicativos de transporte”, defende.

Para Oshiro, o escalonamento das atividades, a ampliação do horário de funcionamento do comércio também contribui para evitar aglomerações.

“É preciso respeitar as leis de mercado. Se um determinado comércio pode funcionar 24h, que seria o ideal para cada um poder programar seu horário, bem como o consumidor também escolher o melhor momento para fazer suas compras sem aglomeração e, ao mesmo tempo possibilitar ao usuário do transporte público que possa em horários alternativos, pagar menos.”

Horário escalonado – Outra proposta, esta debatida há mais tempo, é o escalonamento de abertura do comércio e do funcionamento dos estabelecimentos de ensino.

De acordo com o presidente da Comissão Permanente de Transporte e Trânsito da Câmara Municipal, vereador Coronel Alírio Villasanti, as decisões estão sendo tomadas em conjunto para buscar alternativas inovadoras que contemplem todos os envolvidos.

Para o parlamentar, o escalonamento do horário do comércio e das escolas é fundamental para que se possa diminuir o fluxo de usuários.

“Entendo que a Câmara de Vereadores cumpre um papel importante trazendo diferentes segmentos da sociedade para discutir com muita grandeza uma solução definitiva para o transporte público. Há um consenso entre os setores produtivos, econômicos e da educação em verificar qual a melhor forma de operacionalizar estas propostas”, destacou Villasanti.

O presidente do Consórcio Guaicurus, João Rezende, acredita que as soluções para resolver a lotação do transporte coletivo serão de curto à longo prazo e está cada vez mais claro para a sociedade que se trata de um direito social e necessita da atenção de todos.

“É possível instituir a tarifa diferenciada, já praticamos essa modalidade há uns anos atrás, mas essa experiência acabou se perdendo ao longo do tempo, e agora novamente sugerida. Também podemos colocar mais ônibus em linhas específicas para atender os estudantes. Uma série de medidas que têm a nossa simpatia, desde que sejam analisados todos os impactos que estes eventuais benefícios possam causar”, salienta.

Pelo setor educacional, o professor Valdir Leonel, representante da Semed (Secretaria Municipal de Educação), disse que de imediato a secretaria não pode ter uma posição única e sim, de toda a rede de ensino que inclui as escolas estaduais e particulares.

“Precisamos pensar nos profissionais de educação que circulam nessas redes, pois temos professores que atuam em mais de uma escola. Independente do tempo do escalonamento dos horários, este profissional pode ter problemas para chegar em tempo hábil no seu local de trabalho. Hoje já existem algumas escolas que estão em horários diferenciados de outras redes, é uma questão de alinhamento. Para o ano que vem já temos estudos de alteração de horários devido a mudanças na carga horária dos professores e no horário de aulas dos alunos”, explica.

A Câmara tem atuado e articulado, junto ao Executivo, propostas para diminuir a lotação nos ônibus, considerado um ponto de estrangulamento para o avanço da covid-19.

Na última semana, uma primeira reunião foi realizada. Antes, uma comissão de vereadores fiscalizou os terminais Morenão, Júlio de Castilho, General Osório, Guaicurus, Nova Bahia, Aero Rancho e Hércules Maymone nos horários de pico, com o objetivo de averiguar a lotação dos itinerários dos ônibus.

A Casa de leis ainda encaminhou ofício à Agetran, com cópia ao Consórcio Guaicurus, cobrando o aumento da quantidade de ônibus circulando na Capital, principalmente nos horários de pico, por conta do aumento dos casos de coronavírus na cidade.