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Feminicídio

Medida protetiva não impediu feminicídios

O perfil dos acusados é sempre o mesmo: não aceitam o fim do relacionamento

Delegadas responsáveis pelos últimos casos de feminicídio registrados em Campo Grande ( Foto Luciano Muta)

De janeiro até agora a Polícia Civil registrou 11 feminicídios em Campo Grande e 31 em Mato Grosso do Sul. São números assustam e, segundo a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), mostram  efeitos da pandemia, período em que o volume de boletins de ocorrência reduziu, mas a gravidade dos crimes aumentou.

No mês de novembro, a Deam recebeu 1.125 registros de variados crimes cometidos contra mulheres. No entanto, ocorrências os feminicídios preocupam. Em coletiva à imprensa nesta sexta-feira (11) as delegadas Maíra Pacheco Machado e  Anne Karine Trevisan detalharam os dois últimos feminicídios ocorridos em Campo Grande. Em ambos os casos, as medidas protetivas concedidas infelizmente não impediram que as mulheres perdessem suas vidas nas mãos de seus companheiros.

Um deles aconteceu no dia 30 de novembro no bairro Tarsila do Amaral. Dulci da Silva Martinelle, de 80 anos, foi morta por Vicente Mendes Campos, de 76 anos. Ele ateou fogo na casa onde moravam. Dulci morreu no local e ele está em internado estado grave após inalar fumaça e sofrer queimaduras.

De acordo com a delegada Maíra Machado, o casal estava juntos há 10 anos. Em setembro Dulci tinha procurado a Deam para registrar um boletim de ocorrência contra o marido que era ciumento e violento. O acusado tinha proibido a esposa de ver o filhos e ela não podia sair der casa. O portão era trancado com cadeado e havia grades de proteção nas janelas e portas para impedir a vítima de sair da residência.

No dia do crime, Vicente tentou despistar pessoas próximas afirmando que a esposa tinha viajado. Em seguida a casa do casal pegou fogo e a idosa morreu por asfixia causada pela fumaça.

Vicente teve a prisão preventiva decretada e indiciado por incêndio qualificado e feminicídio. O que chama atenção é que no dia 24 de novembro, dias antes do crime, Dulce procurou a polícia para retirar a medida protetiva. No dia 30 ela foi morta.

Casamento de Dulci e Vicente terminou em feminicídio (Foto: Reprodução)

Outro caso que causou comoção e foi atendido pela Deam foi a morte de Fabiana Lopes dos Santos, de 37 anos, A delegada Anne Karine responsável pelas investigações afirma que a vítima que foi morta com 19 facadas pelo ex-marido Wantuir Sonchini da Silva, 43 anos. Ele já havia sido preso por matar a mãe de Fabiana em 25 de dezembro de 2018.

(Fotos: Reprodução e Luciano Muta/Arquivo DD)

Wantuir foi solto no dia 18 de setembro de 2020 e, logo que foi posto em liberdade, procurou a ex-mulher para reatar o casamento. Ela não aceitou e procurou a Deam no dia 18 de novembro registrando um boletim de ocorrência contra o ex e solicitando medida protetiva. Wantuir foi intimado no dia 4 de dezembro, no mesmo dia do crime. Nervoso, ele procurou a mulher por volta das 19h e obrigou a mesma ir até o local do crime. Com muita raiva da vítima, ele desferiu 19 facadas contra ela.

A família do suspeito avisou os policiais que Wantuir estava em Ribas do Rio Pardo a polícia foi até a cidade, mas ele não foi encontrado. Horas depois, o acusado foi encontrado morto e a polícia constatou que Wantuir cometeu suicídio próximo à rodovia BR 262.

As delegadas da Deam orientam as mulheres que sofreram ou sofrem violência física ou sexual para procurarem a unidade policial que fica aberta 24h, com equipes plantonistas.

A Casa da Mulher Brasileira fica na Rua Brasília, s/n, no bairro Jardim Imá. O telefone é o 4042-1324.