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Estilista conhecido por aplicar golpes em noivas faz novas vítimas

Nilmar Fabianai Dall'Aqua, o Nill Dallaqua, é suspeito de fazer novas vítimas de estelionato e apropriação indébita, em Campo Grande. Nesta quinta-feira, 13 de fevereiro, uma idosa de 70 anos, que era costureira do estilista, procurou a delegacia para denunciar o patrão. Segundo, Irani de Oliveira Lopes, o homem que ficou conhecido como “estelionatário das noivas” teria “sumido” sem pagar os seis meses de trabalho que devia a ela e ainda levou todos os equipamentos de costura da vítima.

De acordo com o depoimento da costureira na DEPAC (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Centro, ela e Nill se conheceram através de amiga em comum que indicou os serviços de Irani.  Na época, o estilista foi até a casa dela e pediu para que o ajudasse a terminar um vestido de noiva.

Desde então, a costureira passou a produzir vestidos para Nill que, após algum tempo, pediu para que Irani fosse trabalhar em seu ateliê. Ela levou seus equipamentos: duas máquinas de costura reta industrial e overlock, quatro tesouras, revistas de moda, tecidos, mesa de corte e linhas. Com a proposta de que receberia um salário mensal de R$ 2 mil.

Porém, segundo Irani contou a polícia, no período de seis meses enquanto trabalhou com o estilista, nunca recebeu nada.

Nesta semana, Nill teria dito a idosa que teve uma proposta de trabalho em Santa Catarina e como estava passando por dificuldades financeiras pagaria a costureira com os vestidos de noivas que estavam no ateliê, que também era a casa dele, assim como alguns móveis que não levaria. Mas, ao chegar no local para buscar seus pertences, Nill Dallaqua, não estava na residência e havia trocado o cadeado do portão para que a costureira não tivesse acesso ao ateliê.

A auxiliar de dentista Kelly Pais, de 24 anos, é parente de dona Irani. Ela contou ao Diário Digital que nos últimos meses, o estilista dizia a costureira que estava passando por uma grave crise financeira, sem dinheiro até mesmo para alimentação e que havia sido lesado por algumas clientes. “Ele se fazia de vítima, dizia que só Deus na causa dele e abusava da boa vontade dela que levava até comida para o Nill”, disse Kelly.

Conforme a idosa relatou a polícia, na segunda-feira, 10 de fevereiro, ele entrou em contato com a vítima e disse para ela ir no dia seguinte buscar as coisas, pois estaria atendendo uma cliente em Aquidauana (MS). No dia combinado, Nill teria dado mais uma desculpa para que Irani não fosse ao ateliê. Informou que seu pai estava doente e aguardava vaga na Santa Casa de Campo Grande.

Desconfiada, na quarta-feira, 12 de fevereiro, Irani resolveu ira até a casa para buscar seus pertences e descobriu com os vizinhos que Nill havia se mudado no início da semana, levando todos os equipamentos de costura que pertencem a idosa.

“Ela está muito abalada, ficou muito triste não só pelo prejuízo material, mas porque Nill usou da boa-fé dela que acreditava estar ajudando alguém necessitado”, disse a parente de Irani que perdeu o benefício da aposentadoria recentemente e precisa das máquinas de costura para trabalhar.

O Ateliê – Há um ano, Nill Dallaqua morava em uma casa alugada pelo companheiro dele no Bairro Vila Rica, na Capital, onde também funcionava o ateliê. O imóvel pertence a um senhor de 80 anos. O filho dele, afirma que o casal não pagava o aluguel já tinha seis meses e saiu da casa sem informar o locatário.

“Nós entramos na justiça contra o companheiro de Nill que fez o contrato em nome dele e, agora, estamos sabendo que Nill seria um golpista. Na próxima semana, sairia a ordem de despejo deles, mas o casal se mudou antes”, alegou Agnaldo de Avelar, de 52 anos.

Agnaldo gravou um vídeo de como está a casa. O forro foi danificado, as portas arrombadas, janelas quebradas, assim como azulejos da cozinha. “Se eu for contar os estragos na casa, precisaria de pelo menos R$15 mil para deixar tudo como era, sem falar nos R$ 6 mil de aluguel que eles devem”.

Ainda segundo Agnaldo, o pai necessita do dinheiro do aluguel para comprar medicamento e se manter, pois sofre de problemas de saúde e vive com uma renda de apenas um salário mínimo. “Eu nem tenho esperança que um cara desses vá pagar o que deve. Ele lesou tanta gente, não tem nada no nome dele, vive fugindo, vai pagar como?”, lamentou o filho da vítima.

O Diário Digital entrou em contato com Nill Dallaqua, mas não houve retorno. Há informações de que uma transportadora teria levado as coisas do estilista para o Paraná (PR).

Entenda o caso – Em dezembro de 2019, o Diário Digital denunciou o estilista que era investigado. Seis pessoas procuraram 1 ª DP (Delegacia de Polícia Civil), no dia 3 dezembro, alegando que foram vítimas do estilista e cabeleireiro, especialista em noivas. A polícia esteve na casa dele e apreendeu cerca de 50 vestidos que estavam no local e pertenciam a lojas de aluguel e clientes.

Nill já responde a um processo por estelionato. Ele chegou a ser preso em flagrante em 2012, com 22 mil reais em vestidos e peças de noivas que alugou em uma loja de campo grande. Na denúncia do fim do ano passado, os prejuízos causados as vítimas chegavam a R$40 mil.

No dia 21 de dezembro, o estilista conversou com o Diário Digital e se defendeu das acusações.

Veja o vídeo do ateliê: