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Porto Alegre

‘Tentaram matar a gente’, diz 1ª testemunha em júri do caso Kiss

Ex-funcionária teve 40% do corpo queimado e diz esperar condenação de réus pelo tribunal do júri

A ex-funcionária da Kiss Kátia Siqueira (Foto: Reprodução/Youtube TJRS)

Primeira testemunha ouvida no julgamento do caso da boate Kiss, a ex-funcionária Kátia Siqueira afirmou nesta quarta-feira (1º) esperar que os quatro réus acusados pela morte de 242 pessoas no incêndio ocorrido em 2013 sejam condenados. “Com tudo isso que eles fizeram, tentaram matar a gente”, disse ela no plenário em afirmações à promotora Lúcia Helena Callegari.

O julgamento começou pela manhã, quase nove anos após a tragédia ocorrida em Santa Maria (RS). O tribunal do júri, que ocorre no Foro Central I de Porto Alegre, decidirá sobre a culpabilidade ou não dos ex-sócios da boate, Elissandro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, além dos músicos Luciano Bonilha e Marcelo de Jesus dos Santos.

O depoimento de Kátia começou às 14h15. A funcionária afirmou que, à época, trabalhava na cozinha e no bar da casa noturna. “Trabalhei lá por seis meses de duas a três vezes por semana, às quintas, sextas e sábados”, disse ela. “Algumas vezes não tinha muito movimento, eram cerca de 300 pessoas, outras vezes não dava nem para circular lá dentro. Na época, eles trabalhavam com comanda. Eles comentavam quantas pessoas tinham entrado.”

Um dos momentos mais marcantes do depoimento de Kátia foi quando o juiz perguntou à testemunha se ela havia tido algum problema físico ou psicológico decorrente do incêndio. “Queimei 40% do corpo”, afirmou. “Minha mãe trocava o canal da televisão para não me afetar. Depois de 46 dias tive alta do hospital. Fiz cinco cirurgias de enxerto com pele de outras pessoas e com a minha própria pele. Depois comecei a fazer as cirurgias reparativas”, diz ela, que chegou a tomar morfina para amenizar a dor.

(Arte: Portal R7)

Kátia conta ainda que conhecia cerca de 50 pessoas, entre funcionários e amigos, que estavam na festa na noite do dia 27 de janeiro de 2013. “Tinha só uma saída. Tinham as barras em toda a boate para fazer a divisão dos setores. A barra de contenção era para manter a ordem na saída para fazer o pagamento. Na hora do desespero as pessoas acabaram sendo esmagadas.”

A luz apagou
Na noite do dia 27, Kátia diz que havia muitas pessoas na casa noturna. “Uma amiga minha tinha chegado na festa e eu disse para ela que quando diminuísse o movimento eu ia falar com ela, só que não deu tempo. Ela faleceu”, afirmou. “Estava cheio, eu não parei um minuto. Eram festas de turmas de faculdade. Normalmente essas festas enchem.”

No momento em que o incêndio começou, Kátia diz que estava na cozinha quando ouviu os primeiros gritos. “Eu estava na cozinha, a luz caiu, escutava gente gritando ‘fogo’, escutava gente gritando ‘abrigo’. Tentei sair e como tinha gente empurrando, acabei desmaiando lá dentro. Me colocaram na viatura da Brigada Civil", relata. Ela conta que sentiu falta de ar e "apagou", tendo acordado no hospital em Porto Alegre, 21 dias depois.

(Com informações Portal R7)