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Câncer de pulmão: 15% dos casos acontecem em não fumantes
Agosto é o mês de conscientização sobre a doença
Domingo, 31 Agosto de 2025 - 08:42 | Redação

No início de 2022, a professora aposentada Claudete Felix de Souza, 65 anos, começou a sentir dores nas costas que a impediam de dormir. Como estava se recuperando de uma infecção pelo vírus Chikungunya, achou que ainda estava com sequelas da doença. A dor, entretanto, não passou. Pouco tempo depois, ela percebeu que estava com a respiração alterada, difícil. Passou por fisioterapia e diversos médicos especialistas até que um cardiologista percebeu que os pulmões estavam com a capacidade comprometida e com líquido acumulado.
Orientada a procurar a emergência, o diagnóstico finalmente veio: câncer de pulmão. Claudete nunca fumou na vida.
“Quando a médica da emergência falou, a gente ainda não sabia onde era o câncer. Ela não especificou. Mas a palavra câncer era muito assustadora. Ainda é muito assustadora. Me desesperei”, lembra.
Claudete precisou ficar internada, passou por biópsia, encontrou um oncologista e deu início ao tratamento com medicamento. Atualmente, o quadro é considerado sob controle. “Sempre me alimentei bem, fazia algumas atividades físicas.
"É importante que a pessoa tenha muita clareza de que ela tem condições de sobreviver e tem que procurar bons apoios, inclusive do ponto de vista médico. Entender que um bom médico é aquele que te olha, te vê, te busca, te trata, te acompanha. É difícil achar médico assim. Outra coisa: psicólogo. A cabeça fica mal. Me sentia muito culpada, muito triste. E procurar as pessoas que realmente importam na sua vida. Minha família me apoiou muito. Isso foi fundamental”, acrescentou.
O oncologista e médico pesquisador no Instituto Nacional do Câncer (Inca), Luiz Henrique Araújo, alertou que, atualmente, 15% dos casos de câncer de pulmão são diagnosticados em pessoas como Claudete, que nunca fumaram.
“O fato é que o tabagismo vem reduzindo, o consumo de tabaco vem reduzindo no mundo e no Brasil. Isso tem causado uma redução na mortalidade por câncer, inclusive câncer de pulmão. A preocupação agora começa a ser o câncer de pulmão em não fumantes”.
Segundo Araújo, se considerada uma enfermidade a parte, o câncer de pulmão em não fumantes figura atualmente como a sétima maior causa de morte por câncer no mundo, perdendo para o câncer de pulmão em fumantes, de estômago, colo retal, de fígado, de mama e de esôfago.
“As causas disso são pouco esclarecidas. Recentemente, a gente teve documentações mais formais sobre a relação da exposição ambiental à poluição e suas partículas associada ao surgimento de câncer de pulmão especificamente em não fumantes. A poluição tem sido colocada como a segunda principal causa de câncer de pulmão. Outras são o tabagismo de segunda mão ou tabagismo passivo. ”
O oncologista destaca que o câncer de pulmão em fumantes acaba vislumbrando uma possibilidade de diagnóstico mais precoce, sobretudo em razão do rastreamento preventivo feito por meio de tomografia de tórax anual a partir dos 50 anos.
“E não fumantes, o índice de suspeição é muito baixo. Um paciente mais jovem, que não fuma, raramente vai pensar, nem ele nem o médico, na possibilidade de câncer de pulmão. Isso acaba levando a diagnósticos mais tardios”, disse.
“Esses casos têm que ser examinados por testes moleculares com sequenciamento genético, que indicam qual vai ser o sobrenome do câncer de pulmão no não fumante. A gente vai procurar mutações genéticas adquiridas, não familiares. São algumas centenas de genes que vão ajudar a guiar qual a escolha do tratamento, uma terapia inteligente, frequentemente usando comprimidos ao invés de quimioterapia oral", completou.
Estamos no Agosto Branco, mês de conscientização sobre o câncer de pulmão. Araújo explicou que a ideia é aumentar a conscientização sobre a doença em não fumantes.
"Cerca de 15% dos casos de câncer de pulmão acontecem em pessoas que nunca fumaram. Também precisamos esclarecer sobre a importância de procurar um médico em casos de sintomas respiratórios que não estão melhorando. Diagnóstico precoce e um time multidisciplinar, incluindo pneumologista, cirurgião, oncologista e outros, são essenciais”.
Informações cedidas por Agência Brasil.
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