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Campo Grande

Adotada para ser empregada doméstica

Depois de cuidar de toda família “irmãos” pedem que ela deixe a casa onde mora

Neli trabalhou 57 anos sem receber salário

Privada de viver as melhores experiências da infância e adolescência, Neli Terezinha de Souza Machado Rodrigues, de 63 anos, foi adotada aos seis anos por um casal em Campo Grande. O “pai” adotivo era militar. ao chegar à residência da família, Neli se viu obrigada aos seis anos ao cuidar de filho do casal e realizar afazeres domésticos.

Durante toda a vida ela ficou entre a incerteza de ser uma filha ou ser uma funcionária. Não foi registrada no nome dos pais adotivos em cartório e também não recebeu o registro em carteira de trabalho como empregada doméstica.

A filha de Neli, Alessandra Machado Rodrigues, pediu ajuda a equipe do Diário Digital. Inconformada que a mãe tenha trabalhado 57 anos sem receber nenhum salário e muito menos o direito de aposentadoria. Os irmãos “adotivos” querem tomar a única coisa que restou para a idosa que é uma casa que fica nos fundos da residência da família. No entanto o imóvel não está em nome de Neli.

Após a morte do “ pai” adotivo, os irmãos começaram a pedir que Neli saísse da casa onde viveu a vida toda praticamente como empregada doméstica. Segundo a filha, ela nunca teve a oportunidade de estudar e mesmo depois de casada foi obrigada a continuar morando na casa para fazer o serviço doméstico. Triste pela historia da mãe, Alessandra desabafa. “ Minha mãe foi entregue adoção ainda muito pequena, naquela época eram comum criança serem adotadas para servir uma família. Minha mãe foi privada de tudo,  mesmo depois de grande minha mãe quis sair da casa, mas era pressionada pela família. Ela trabalhava de domingo a domingo sem receber nada em troca dedicou sua vida aos cuidados da família e hoje não tem nem onde morar pois querem tirar a única coisa que ela tem que é a casa”, lamenta a filha.

Alessandra afirma que a mãe entrou a justiça para garantir seus direitos trabalhista. “Foi aberto um processo para que ela recebe o que é seu por direito, mesmo assim ela recebe diversas ameaças e humilhações. A família que minha mãe tanto cuidou hoje trata ela sem um pingo de dignidade. Hoje eu luto pela vida da mulher que cujo o pecado maior foi acreditar e dedicar a família  que hoje age sem piedade com a mesma”, ressalta.

Na justiça Neli pede o reconhecimento de vínculo trabalhista, pagamento de verbas rescisórias, horas extras, recolhimento do FTGS do período e ainda indenização por dano moral.

Mesmo depois de tudo Neli ainda continua cuidando da “mãe”, adotiva correndo o risco de ser despejada a qualquer momento.  O desejo maior agora de Neli Terezinha é construir uma casa e sair do local de onde guarda péssimas lembranças. Ela quer viver em um lar digno. A idosa agora espera a resposta da justiça em relação ao processo que está tramitando  na 7ª Vara Trabalhista em Campo Grande.

Enquanto a decisão não vem a família arrecada recursos por meio de campanha virtual para comprar uma casa para Neli. Quem quiser contribuir para que ela possa comprar o tão sonhado lar pode acessar a vaquinha virtual neste link.

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