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ELVERSON CARDOZO

Jornalista e mestre em Comunicação. Possui experiência com reportagem, produção de conteúdo jornalístico e publicitário, blogs, gerenciamento de mídias sociais. Atento às questões LGBTs, escreve sobre diversidade sexual e de gênero há 7 anos.

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Orgulho LGBTQIA+ surgiu da luta e enfrentamento à violência institucional

Se você ainda não viu, provavelmente vai se deparar, neste domingo (28), com alguma manifestação -  nas redes sociais, TV ou em outras plataformas -  sobre o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, a não ser que sua bolha seja super compacta e desconectada da realidade. Neste caso, queride, só lamento. É preciso atualizar. O mundo mudou. Ainda bem. 

É que a data merece mesmo destaque, notícia e comemoração, se possível em todos os lugares, afinal de contas surgiu a partir da luta pesada contra uma sociedade preconceituosa, que ainda hoje insiste em discriminar, oprimir, julgar, condenar e matar quem não segue a cartilha da cisheteronormatividade.

Foi há 51 anos, na madrugada de 28 de junho de 1969, quando LGBTs receberam mais um “enquadro” da polícia em um point conhecido do movimento, o bar Stonewall Inn, em Greenwich Village, na cidade de Nova Iorque (EUA). Cansados da opressão e violência, o grupo decidiu reagir, dando origem ao dia que ficou conhecido mundialmente como a Revolução de Stonewall.

Seria mais uma “operação padrão”, já que frequentemente faziam batidas por lá e prendiam funcionários, clientes sem identificação ou simplesmente homens trans ou vestidos como mulheres (a lei nova-iorquina previa prisão para homens travestidos), mas naquele dia foi realmente diferente.

Às 1h20 da manhã, os 4 policiais que invadiram o bar se depararam com a fúria dos frequentadores, que naturalmente não aguentavam mais tanta perseguição. Primeiro, os clientes “vestidos de mulher” se recusaram a passar pela tradicional revista de conferência de sexo.

Depois, a briga entre uma mulher e um policial estourou. Ela estava sendo tratada com violência pelos oficiais e convocou a multidão a fazer algo para ajudá-la. Assim, a pólvora da injustiça acendeu a explosão.

Antes que chegasse o primeiro camburão, a multidão havia aumentado em 10 vezes e, com isso, elevou-se também a tensão. Rapidamente, após o primeiro grito de “poder gay” e o entoar dos primeiros versos da clássica canção de protesto “We Shall Overcome” (Nós vamos vencer, em tradução livre), o público presente foi tomado por sentimento coletivo de que não deveriam mais aguentar abuso.

O que aconteceu em seguida foi o mais radical, transformador, violento e simbólico confronto, que durou 45 minutos e se estendeu por 5 dias, dando início ao movimento gay, que se tornava, enfim uma, força incontornável.

Então, sim, hoje é Dia de Orgulho, por ser quem somos e por quem nos tornamos ao longo dessa caminhada cheia de obstáculos, violência institucional e reiteradas tentativas de apagamento, seja no sentido simbólico ou literal. Para os LGBTfóbicos, a péssima notícia é que eles não vão conseguir nos calar. Estamos ainda mais fortes, coesos, organizados em rede e o melhor: cheios de ORGULHO.

(Com informações do Hypeness)


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