Política
Fábio Trad defende gestão humana e inclusiva para MS
Candidato a governador apresentou ideias para saúde, economia, segurança e educação durante entrevistas à Rede MS
Sexta-feira, 18 Setembro de 2026 - 15:30 | Sandra Salvatierre

Fábio Trad, candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, encerrou nesta sexta-feira (18) a rodada de entrevistas com postulantes ao cargo de governador do Estado realizada pela Rede MS Integração de Rádio e Televisão.
Último dos oito entrevistados, Fábio Trad falou ao programa de televisão Balanço Geral MS, Noticidade da FM Cidade 97 e Portal Diário Digital. O candidato apresentou propostas para diferentes áreas da administração estadual, entre elas saúde, educação, segurança pública, economia e valorização dos servidores.
No Balanço Geral MS, em entrevista conduzida por Rodrigo Nascimento, Trad afirmou que pretende, caso seja eleito, priorizar uma administração voltada à população e aos serviços públicos. "Fazer uma gestão humana, uma gestão inclusiva e uma gestão para todos".

Economia - Ao abordar o cenário econômico de Mato Grosso do Sul, Trad afirmou que o crescimento do Estado não estaria sendo acompanhado, na mesma proporção, pela melhora da qualidade de vida da população. Como exemplo, citou o nível de endividamento dos consumidores.
Segundo o candidato, uma eventual gestão deverá buscar formas de agregar valor às atividades econômicas já consolidadas, especialmente o agronegócio e o varejo, por meio da industrialização, da tecnologia e da qualificação profissional. A proposta, de acordo com ele, é ampliar a geração de renda e fazer com que os resultados do desenvolvimento econômico alcancem um número maior de trabalhadores. Trad também defendeu investimentos em inovação tecnológica, capacitação digital desde o ensino fundamental e apoio a startups e parcerias com instituições acadêmicas, inclusive para ampliar o uso de tecnologia no agronegócio.
Saúde - Na área da saúde, o candidato apresentou quatro eixos principais: implantação de uma "fila transparente" para dar publicidade à ordem de atendimento; criação de mecanismos para fixar médicos especialistas no interior; combate à corrupção em hospitais e órgãos estaduais; e implantação de policlínicas regionais para ampliar e agilizar a realização de consultas e exames. Ao defender medidas de combate a irregularidades, Trad declarou.
"Teve corrupção no Hospital Regional, teve corrupção na Santa Casa, envolvendo um agente servidor público do Estado, teve corrupção na fila de regulação do atual governo".

Tema escolhido: Privatização - O candidato escolheu o tema, sorteado de forma surpresa no programa Balanço Geral MS "Privatização" também se posicionou contra a privatização de serviços essenciais, como saúde e educação, argumentando que essas áreas devem ser tratadas como direitos da população e permanecer sob responsabilidade do poder público.
"A saúde não é uma mercadoria, a saúde é um direito das pessoas".
Servidores - Trad afirmou que pretende valorizar os servidores públicos por meio de reajustes e melhores condições de trabalho. No planejamento apresentado durante as entrevistas, destacou três áreas como prioritárias: saúde, educação e segurança pública.
Na educação, criticou o percentual de professores temporários na rede estadual e defendeu a realização de concursos públicos para promover a efetivação gradual dos profissionais. Também citou investimentos em internet, climatização, transporte, alimentação escolar e atenção à saúde mental dos trabalhadores. Na área administrativa, afirmou que pretende realizar um levantamento das finanças estaduais e revisar o orçamento para identificar despesas que considera desnecessárias. Entre as medidas mencionadas estão a redução de cargos comissionados, auditorias em contratos e aditivos e ações de combate à sonegação fiscal.
"Nós entendemos que o governo do Estado gasta muito com coisas desnecessárias. Por exemplo, cargos em comissão são quase 3 mil, pretendemos reduzir. combater privilégios, desperdícios, fazer auditorias em contratos, aditivos para que não haja nenhum tipo de gasto desnecessário".
Segurança - Para a segurança pública, Trad propôs a criação de um centro integrado de inteligência destinado a ampliar o compartilhamento de informações entre as forças policiais estaduais e federais no combate ao tráfico e às organizações criminosas nas regiões de fronteira. Entre as ferramentas citadas estão o uso de satélites e sistemas de leitura de placas, além do monitoramento financeiro das organizações criminosas. O candidato também defendeu que a atuação do Estado nas regiões de fronteira não se limite à repressão policial, mas inclua investimentos em educação, cultura, indústria, comércio e serviços.
"O crime organizado só ocupa território onde o Estado está desorganizado. Então nessas cidades de fronteira nós vamos levar o Estado para lá. Cinema, cultura, arte, indústria, fábrica, comércio, varejo, faculdades, universidades, para que as pessoas possam se sentir bem".
Proteção às mulheres - No tema da violência contra a mulher, Trad afirmou que pretende criar o "Pelotão Maria da Penha" e ampliar ações preventivas em regiões consideradas vulneráveis. "Cada 10 dias está morrendo uma mulher no estado. As mulheres estão com medo de viver em Mato Grosso do Sul. Vamos criar os agentes públicos de proteção à mulher para visitar as casas das regiões de maior vulnerabilidade. Também iremos fazer uma rede de assistência para chegar no interior". A proposta apresentada inclui ações de proteção e uma rede de assistência com alcance também para municípios do interior.
Articulação política - Durante a entrevista no Balanço Geral MS, Rodrigo Nascimento questionou Trad sobre a composição política de sua família e as diferentes posições partidárias assumidas por seus irmãos. O candidato afirmou que as divergências políticas não interferem nos vínculos familiares e declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"As pessoas são diferentes. O que une os irmãos? Amor, afeto e respeito. É isso que eu tenho pelo Nelson e pelo Marcos. Agora, politicamente, cada um tem a sua posição, o seu pensamento. Eu estou ao lado do presidente Lula, porque eu entendo que eles precisam do Estado, precisam de assistência, carinho, acolhimento".

(Foto: Luiz Alberto)
Entrevista no Noticidade - Na 2ª edição do Noticidade, transmitida pela FM Cidade 97, Fábio Trad foi entrevistado por Ogg Braim, com participação do colunista político Manoel Afonso. O programa também abordou propostas econômicas, educação, gestão pública e críticas feitas à candidatura.
Questionado sobre afirmações de que sua candidatura seria "terceirizada e que não tem tradição" e sobre um suposto apoio ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, Trad classificou as declarações como falsas. Ao comentar críticas atribuídas ao adversário Lucien Rezende, afirmou que prefere concentrar a campanha em questões que considera prioritárias para a população. "Não é verdade, ele infelizmente faltou com a verdade. Mas não me importa isso, sabe, Manoel, eu estou preocupado com a questão do trabalhador que ganha pouco e quando precisa de um atendimento na saúde ou um remédio não tem".
Ao tratar da administração estadual, Trad também afirmou que pretende revisar contratos, despesas e a estrutura de cargos comissionados para buscar maior controle dos recursos públicos.

(Foto: Luiz Alberto)
Governo Zeca - Trad mencionou ainda a administração do ex-governador Zeca do PT como referência para algumas políticas públicas e destacou a criação de mecanismos de financiamento em áreas como cultura, esporte e desenvolvimento. "O Zeca, ele liderou naqueles oito anos um grande salto de desenvolvimento aqui em Mato Grosso do Sul. Nesse sentido, eu vou seguir a sua linha, mas eu quero fazer o meu governo, o meu da dona Gil. É diferente em questão de personalidade, de estilo, de foco".
O candidato afirmou, porém, que pretende imprimir características próprias à eventual administração e ressaltou a necessidade de ampliar a transparência na gestão pública.
Inclusão social - No encerramento da entrevista, Trad agradeceu à equipe de jornalismo e aos profissionais responsáveis pelo espaço destinado à candidatura. Também mencionou a família e afirmou que sua trajetória reúne atuação na advocacia e no ensino do Direito, além do período em que exerceu mandato de deputado federal por Mato Grosso do Sul.
Ao falar sobre as prioridades de um eventual governo, citou indígenas, assentados, quilombolas, microempreendedores, prestadores de serviços e lojistas como segmentos que, segundo ele, deverão participar das políticas públicas e das decisões da administração estadual. "Dialogue em todos os setores da sociedade que coloque também os indígenas, a terceira maior população do Brasil é nossa, quero colocar eles também no protagonista de políticas públicas".

(Foto: Luiz Alberto)
Trad afirmou ainda que pretende buscar novos investimentos e defender uma administração com maior atenção às questões sociais e à proteção das mulheres. "Eu não quero ser governador para ocupar uma cadeira eu quero ser governador, para transformar a vida das pessoas e transformar para o melhor".
Rodada de entrevistas - A Rede MS Integração de Rádio e Televisão realizou rodada de entrevistas com os oito candidatos a governador de Mato Grosso do Sul entre os dias 9 e 18 de setembro. Todos os candidatos compareceram e foram entrevistados pelos veículos TVMS Record (Programa Balanço Geral MS), Rádio FM Cidade 97 (Programa Noticidade 2) e Portal Diário Digital.
Todas as entrevistas concedidas à televisão e ao site estão disponíveis no Diário Digital. Basta acessar o canal de vídeos para rever as participações dos candidatos na televisão e a editoria de política para reler as entrevistas ao site.
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