Política
Daniel Lemes destaca saúde, povos indígenas e emprego em entrevistas
Candidato do PCO apresenta propostas e defende diálogo com diferentes setores do Estado
Segunda-feira, 14 Setembro de 2026 - 15:30 | Sandra Salvatierre

O candidato ao governo de Mato Grosso do Sul pelo PCO, Daniel Lemes, participou nesta segunda-feira (14) de entrevistas em dois veículos de comunicação do Estado e apresentou propostas para áreas como saúde, segurança pública, concursos, direitos dos povos indígenas e relações políticas. Durante as conversas, também abordou questões trabalhistas e convocou diferentes segmentos da sociedade a apoiarem sua candidatura.
Pela manhã, Lemes participou da Roda de Entrevista, no Balanço Geral, conduzida pelo apresentador Rodrigo Nascimento. A participação integrou a quarta rodada de entrevistas promovida pelo grupo de jornalismo da emissora. Na sequência, o candidato esteve com Ogg Braim e Manoel Afonso, colunista de política, no programa 2ª Edição do Noticidade, do grupo REDE MS.

Segurança na fronteira - Durante a entrevista conduzida por Rodrigo Nascimento, um dos temas discutidos foi a segurança pública na região de fronteira. Questionado sobre como seria sua gestão caso fosse eleito, Lemes defendeu investimentos específicos para a área. "É um grande problema que a gente está enfrentando é o seguinte, que hoje você não vê um investimento específico para essa região".
O candidato também afirmou que o país precisa ampliar os recursos destinados à segurança e investir na qualificação dos profissionais que atuam no setor. "Hoje o Brasil precisa de um investimento maior na área de segurança e com recursos profissionais para que se possa ter segurança"
Concursos e saúde - Sorteado como tema da entrevista, o assunto concursos públicos levou o candidato a defender a contratação de servidores efetivos para diferentes áreas e municípios. Segundo Lemes, a medida seria especialmente necessária na saúde, com o objetivo de atrair médicos e valorizar os profissionais.

Na avaliação do candidato, a administração estadual precisa atender aos 79 municípios, evitando que os investimentos sejam concentrados em determinados grupos ou regiões.
A contratação por meio de concursos também foi apresentada como uma estratégia para melhorar a estrutura médica. Lemos argumentou que melhores condições profissionais e remuneração adequada poderiam contribuir para atrair médicos para o interior do Estado.
"O médico tem família, ele tem sonhos de construir, por isso ele foi formado. Então, se hoje a gente não colocar isso no ponto para você investi-lo, para que atraia médico e qualquer profissional da área de saúde, a gente não consegue resolver a questão de saúde do Estado."
O candidato defendeu ainda a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores da saúde como forma de fortalecer o atendimento em diferentes regiões.
Atendimento regionalizado - Na entrevista ao Noticidade, Ogg Braim questionou qual seria a primeira medida de Lemos caso assumisse o governo e qual seria a prioridade para os quatro anos de gestão. A resposta foi direta: saúde.

Lemes afirmou que pretende ampliar os investimentos e regionalizar o atendimento, reduzindo a dependência de Campo Grande e levando serviços para outras regiões do Estado.
Para o candidato, a descentralização ajudaria a ampliar o acesso da população e reduziria a sobrecarga sobre o hospital de referência da Capital. Ele também defendeu mudanças na gestão hospitalar e investimentos em infraestrutura. Outra proposta apresentada foi a criação de um plano específico para atender as comunidades indígenas, com ações voltadas às necessidades dessas populações.
Povos indígenas - A questão indígena esteve entre os principais assuntos abordados nas duas entrevistas. Lemos, que é indígena Guarani-Kaiowá e natural de Amambai, defendeu maior participação dos povos originários nas decisões governamentais. Ao responder a Manoel Afonso sobre a demarcação de terras indígenas, o candidato citou o artigo 231 da Constituição Federal e afirmou que o processo de demarcação previsto no texto constitucional não foi concluído. Segundo Lemes, Mato Grosso do Sul possui nove etnias indígenas e enfrenta episódios de violência que, em sua avaliação, demonstram a necessidade de políticas públicas específicas. "Nós somos nove etnias que tem no povo do Pantanal e povo de Guarani e e outros. A gente percebe hoje a violência ocorrendo".
O candidato também criticou a ausência, segundo sua avaliação, de políticas públicas suficientes voltadas aos povos indígenas e defendeu maior mobilização para ampliar a visibilidade dessas comunidades nas diferentes esferas de governo. "A instituição pública hoje é igual um fusca velha se você não empurrar ele não anda então alguém vai ter que empurrar esse fusca para ele poder funcionar Se você não sair se você não mostrar que você exista hoje principalmente o indígena hoje não é visto não é plano de governo de qualquer governo federal de senado deputado federal estadual prefeito e vereador dentro do Brasil infelizmente a coisa é essa".
Salários e jornada - Durante a entrevista, também foram apresentadas propostas trabalhistas defendidas pelo PCO, entre elas aumento emergencial de 50% nos salários, reposição integral das perdas salariais, salário mínimo de R$ 7.500 e redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais, sem redução salarial. Questionado sobre como essas medidas poderiam ser implementadas no governo estadual e quais seriam as fontes de recursos, Lemes criticou o que classificou como desvio de dinheiro público, favorecimento empresarial, corrupção e má gestão. Na avaliação do candidato, a redução de gastos considerados indevidos e a revisão de despesas poderiam abrir espaço para ampliar a remuneração de profissionais, especialmente das áreas de educação e segurança.

Articulação política - As entrevistas também abordaram a capacidade de articulação do candidato com deputados, senadores e demais autoridades caso fosse eleito. Lemes afirmou que pretende manter diálogo com representantes de diferentes partidos e trabalhar em parceria com os eleitos, independentemente dos partidos. Segundo ele, a construção de uma gestão estadual depende da relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário, além da participação de conselhos profissionais e sindicatos. O candidato ressaltou ainda que mudanças nas jornadas de trabalho exigiriam articulação com a Assembleia Legislativa e diálogo com as categorias envolvidas. Para Lemes, um governador não consegue administrar de maneira isolada e precisa construir apoio político para implementar suas propostas.
Voto indígena - Outro assunto discutido no Noticidade foi a possibilidade de identificar o comportamento eleitoral da população indígena de Mato Grosso do Sul. Lemes explicou que não é possível determinar com precisão quantos indígenas possuem título de eleitor ou como esse segmento vota, porque os registros eleitorais não permitem um mapeamento baseado na etnia do eleitor. Ele citou a presença de comunidades indígenas no Pantanal, no Cone Sul e em Campo Grande, mas destacou que os dados eleitorais oficiais são vinculados ao município de votação, sem uma identificação específica da origem étnica.
Comunidade LGBTQIA+ e campanha - Durante a participação no Balanço Geral, Lemestambém direcionou sua mensagem a trabalhadores, mulheres, jovens, integrantes da comunidade LGBTQIA+ e povos indígenas, pedindo apoio à chapa do PCO. "LGBT, do campos, vocês que estão me assistindo. Eu preciso do voto de vocês para que eu possa chegar ao governo e pedir o voto do presidente Rui Costa Pimenta que está concorrendo à presidência, o nosso deputado, três deputados federal e cinco deputados estaduais, na chapa 29, partido do PCO, e o nosso senador também"
O candidato também defendeu a participação de representantes indígenas na administração pública e afirmou que pretende governar para diferentes segmentos da população. "Para que a gente possa governar para todos, para ajudar e atender a todos"

Encerramento - Ao final da entrevista no rádio, Lemes agradeceu o espaço, pediu votos para sua candidatura ao governo e para os demais integrantes da chapa do PCO, incluindo Rui Costa Pimenta, candidato à Presidência da República.
O candidato também convidou a população para um evento com a participação de Rui Costa Pimenta, previsto para o dia 19, em Dourados (MS), e encerrou sua participação defendendo o voto consciente e políticas públicas voltadas à saúde, educação, preservação regional e valorização dos trabalhadores e de grupos minoritários.
Rodada de entrevistas - A rodada de entrevistas com os candidatos a governador de MS segue até o dia 18 de setembro, na TVMS Record, Rádio FM Cidade 97 e Diário Digital. Nesta terça-feira, 15 de setembro, será entrevistado Lucien Rezende, do PSOL.
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