Polícia
Vendedor de carros registra falsos roubos para tentar recuperar veículos em Campo Grande
Homem admitiu à polícia que usava boletins de ocorrência para incluir automóveis em restrição criminal após conflitos em negociações
Quarta-feira, 20 Maio de 2026 - 09:15 | Redação

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul identificou um esquema de falsas comunicações de crimes envolvendo veículos automotores em Campo Grande. O principal investigado é o vendedor de automóveis de 27 anos, que admitiu ter registrado boletins de ocorrência falsos para tentar recuperar veículos após desacordos em negociações de compra e venda.
As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv) e começaram após o homem procurar a polícia, na madrugada do dia 15 de maio, afirmando ter sido vítima de um roubo à mão armada envolvendo uma picape Fiat Strada branca.
No relato inicial, ele disse que criminosos teriam levado o veículo durante uma negociação de venda. No entanto, foi identificado inconsistências na versão apresentada, além de perceberem que o mesmo homem já havia registrado outras ocorrências semelhantes recentemente.
Durante a apuração, a Defurv descobriu que o investigado registrou pelo menos quatro boletins de ocorrência envolvendo supostos furtos, roubos e apropriações indébitas de veículos. Segundo a polícia, nenhum dos casos estava relacionado a crimes reais, mas sim a dívidas e conflitos comerciais após negociações informais.
Confrontado com as informações levantadas pelos investigadores, o vendedor de carros confessou que acionava a polícia depois de entregar voluntariamente os veículos aos compradores e não receber os valores combinados. O objetivo, segundo ele, era inserir os automóveis em restrição criminal para que fossem localizados e apreendidos pelas forças de segurança.
No caso da Fiat Strada, o vendedor afirmou que negociou o veículo por cerca de R$ 45 mil, mas ainda teria aproximadamente R$ 15 mil a receber. Após uma discussão sobre a dívida, ele decidiu registrar falsamente o roubo do automóvel para tentar recuperá-lo.
A polícia também identificou falsa comunicação de furto envolvendo um Hyundai i30, após dívida estimada em R$ 6 mil, além de uma falsa ocorrência de apropriação indébita relacionada a uma motocicleta Honda CG 160 Fan, após divergência financeira de cerca de R$ 3,5 mil.
Segundo a Defurv, o investigado possui histórico de registros relacionados a crimes patrimoniais, negociações de veículos, apropriação indébita, estelionato, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e violência doméstica.
Diante dos fatos, a Polícia Civil instaurou Termos Circunstanciados de Ocorrência por falsa comunicação de crime, delito previsto no artigo 340 do Código Penal, cuja pena pode chegar a seis meses de detenção ou multa.
A Defurv alertou que falsas denúncias geram desperdício de recursos públicos, mobilizam equipes policiais desnecessariamente e prejudicam investigações de crimes reais envolvendo furtos e roubos de veículos.
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