Polícia
"Rodas da Sorte": Influenciador é preso por sorteios on-line de carros
Conhecido como Eduardo Razuk nas redes sociais, junto com o irmão Rafael, foram presos e tiveram bens apreendidos
Terça-feira, 18 Agosto de 2026 - 18:00 | Issel Chaia

O youtuber e influenciador digital Eduardo Rezende da Silva, de 32 anos, conhecido como Eduardo Razuk, foi alvo da Operação Rodas da Sorte e preso, na manhã desta terça-feira (18), em Campo Grande. O influencer está sendo investigado por contravenção penal por exploração ilegal de loterias, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
A investigação iniciada na capital de Mato Grosso do Sul é realizada pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc) com o apoio da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico - DENAR, Delegacia Especializada de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos - DEFURV, Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos - DERF, Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa - DHPP e Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros - GARRAS, bem como da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (D.R.C.I.) e da Polícia Civil do Estado da Paraíba.

A operação cumpriu 11 mandados de busca domiciliar, sendo quatro em Campo Grande/ MS, quatro no Estado da Paraíba e três no Estado do Rio de Janeiro e quatro mandados de prisão preventiva, sendo dois deles em Campo Grande, sendo Eduardo Razuk e seu irmão Rafael Rezende da Silva, de 36 anos, um indivíduo de 43 anos, em João Pessoa na Paraíba e na capital do Estado do Rio de Janeiro, sendo um alvo de 46 anos.
Houve o sequestro de bens do investigado e alvo principal, Eduardo Razuk, com a apreensão de 22 veículos e dois relógios de luxo, itens possivelmente adquiridos por intermédio das rifas. Houve ainda a indisponibilidade de cinco imóveis e de aproximadamente R$500.000.000,00 (quinhentos milhões de reais) de contas bancárias dos investigados. Aparelhos também foram apreendidos para serem periciado.

De acordo com Pedro Cunha, delegado da Dercc, as investigações apontaram a prática de vendas de notas de rifas praticadas de forma ilegal, por meios cibernéticos, majoritariamente pelas redes sociais, como o Instagram.
O principal investigado realizava essa modalidade de sorteio ilícita desde 2019 até o momento. O influenciador e seus associados em Campo Grande/MS, durante o decorrer de sete anos, ficaram multimilionários com a loteria não autorizada.

Por se tratar de uma contravenção penal, o grupo viu a necessidade de lavagem dos valores, afim de ocultar ou dissimular a origem ilícita advinda da contravenção penal, associando-se com familiares e terceiros, na capital sul-mato-grossense, assim como com outras pessoas jurídicas no estado do Rio de Janeiro e Paraíba, tanto para a prática das rifas ilegais quando para a lavagem de dinheiro.
Na tentativa de dar uma roupagem lícita para a atividade ilegal, a investigação apontou indícios da empresa do Rio de Janeiro, que oferecia "soluções para sorteios", afim de dar um ar de legalidade para rifas de influenciadores digitais no país.

O influenciador teria se apropriado do sobrenome Razuk, todavia, não há vínculo parental com a família, sendo que o sobrenome tenha sido acrescentado no decorrer da ação criminosa.
Durante a trajetória do youtuber e influencer, a polícia estima que houve a movimentação superior a R$ 100 milhões, devido ao esquema criminoso. Rifas no Brasil, com modalidade lucrativa não são permitidas, de acordo com a Secretaria de Prêmios de Aposta do Ministério da Fazenda.
A defesa de Eduardo Razuk, os advogados Tiago Bunning e Heitor Matos, esclarece que:
“Ainda não temos acesso a investigação e a decisão judicial, mas podemos antecipar que os sorteios realizados são legais. A operação respeita todo o regramento específico do setor, não havendo qualquer irregularidade. Após ter acesso ao procedimento podemos prestar novos esclarecimentos.”
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