• Diretor de Redação Ulysses Serra Netto

Polícia

Morte de adolescente em MS durante transmissão ao vivo em plataforma digital desencadeia operação

A Operação Lívia, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, investiga uma organização criminosa que utilizava ambientes virtuais para atrair adolescentes, submetê-los à coerção psicológica e incentivá-los à prática de violência extrema

Terça-feira, 04 Agosto de 2026 - 10:04 | Redação


Morte de adolescente em MS durante transmissão ao vivo em plataforma digital desencadeia operação
Morte de adolescente em MS durante transmissão ao vivo em plataforma digital desencadeia operação (Foto Divulgação)

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), apresentou, nesta terça-feira (4), os resultados das operações Lívia e Rede Interrompida, ações de investigação criminal desenvolvidas com apoio técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas (CIBERLAB) e executadas em conjunto com as Polícias Civis de diferentes unidades da Federação.

As duas operações integram o eixo de enfrentamento à misoginia digital desenvolvido no âmbito do Centro Integrado Mulher Segura (CIMS) e têm como foco a identificação e a desarticulação de grupos criminosos que utilizam plataformas digitais para disseminar violência, recrutar integrantes, propagar discursos de ódio e praticar crimes contra mulheres, crianças e adolescentes.

A Operação Lívia, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, investiga uma organização criminosa que utilizava ambientes virtuais para atrair adolescentes, submetê-los à coerção psicológica e incentivá-los à prática de violência extrema. As investigações tiveram início após a morte de uma adolescente de 13 anos, ocorrida durante uma transmissão ao vivo em uma plataforma de comunidades digitais.

Segundo as investigações, o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de funções entre seus integrantes para atrair vítimas, induzi-las à prática de atos violentos e divulgar as imagens produzidas. A apuração identificou a atuação de suspeitos em diferentes estados, o que motivou a integração entre a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, o CIBERLAB e as Polícias Civis do Ceará, de Minas Gerais, do Pará e do Rio de Janeiro. O procedimento segue sob sigilo.

Já a Operação Rede Interrompida, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal, apura a atuação de uma rede extremista que utilizava comunidades no aplicativo Telegram para disseminar conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos, recrutar novos integrantes e discutir o planejamento de atos violentos.

Durante a operação, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com apoio das Polícias Civis estaduais, do CyberGAECO do Ministério Público de Santa Catarina, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do CIBERLAB.

As investigações apontaram que o grupo utilizava o ambiente virtual para compartilhar manuais de fabricação de artefatos explosivos, discutir estratégias de recrutamento e disseminar discursos de ódio direcionados, entre outros grupos, às mulheres em posições de autoridade.

Nas duas operações, o Laboratório de Operações Cibernéticas atuou na análise de evidências digitais, na produção de inteligência cibernética, na identificação de conexões entre investigados e na articulação entre as forças de segurança envolvidas, permitindo que as investigações ultrapassassem os limites territoriais de um único estado.

O eixo de enfrentamento à misoginia digital do Centro Integrado Mulher Segura reúne ações voltadas ao monitoramento de ambientes virtuais, ao compartilhamento de inteligência e ao apoio técnico às investigações relacionadas à violência de gênero praticada por meios digitais, fortalecendo a atuação integrada entre os órgãos de segurança pública.

As investigações permanecem em andamento para a análise do material apreendido, a identificação de outros envolvidos e a responsabilização dos investigados, conforme o avanço dos respectivos inquéritos policiais.

SIGA-NOS NO Google News