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Polícia

"Eu só quero enterrar meu filho", diz mãe de jovem morto junto com amigos no MT

Breno Gabriel e dois amigos de infância foram encontrados mortos no interior do MT; famílias não sabem como farão o traslado dos corpos

Quarta-feira, 08 Abril de 2026 - 14:39 | Redação


"Eu só quero enterrar meu filho", diz mãe de jovem morto junto com amigos no MT
Elaine Cristina Soares chora a perda do filho e amigos (Foto: Valdelice Bonifácio/Diário Digital)

Revolta, dor, desamparo. Estes são alguns dos sentimentos que tomam conta do coração de Elaine Cristina Soares Jaquinta, mãe Breno Gabriel Soares Cabral, de 21 anos, encontrado morto junto com dois amigos de infância Wagner Felipe Rocha Viana, de 20 anos, Wilquison Eduardo Rocha Viana, de 23, na cidade de Campo Novo do Parecis (MT) onde foram trabalhar na montagem de uma feira agropecuária.

Os três meninos que deixaram Campo Grande (MS) há cerca de 30 dias para trabalhar no estado vizinho e eram considerados desaparecidos desde sábado passado, 4 de abril. Nesta quarta-feira, 8, os corpos foram achados enterrados em uma cova rasa em área de mata próxima ao distrito Marechal Rondon. Dois suspeitos foram presos, sendo um adolescente, enquanto a polícia ainda procura um terceiro envolvido.

A mãe de Breno soube do fato nesta quarta-feira pela manhã após dias de angústia sem notícias do filho e de seus amigos. Agora, além da profunda dor da perda do jovem, ela vive outro drama, ainda não sabe como fará para trasladar o corpo. O IML da cidade já realizou os exames de praxe e liberou os corpos, mas Elaine e as famílias das outras duas vítimas não têm recursos para pagar pelo transporte.

"Eu só quero enterrar meu filho", diz mãe
 Breno Gabriel, de 21, Wagner Felipe, de 20, Wilquison Eduardo, de 23, estavam hospedados em um alojamento (Foto: Divulgação)
 

"Estou muito revoltada. Deixei meu filho ir trabalhar. Ele não foi a uma festa. Não foi usar drogas. Agora, estou vivendo esse pesadelo para trazer ele de volta. Só quero enterrar meu filho. Velar. O caixão vai vir lacrado", desabafa a mulher.

Os garotos deixaram Campo Grande para trabalhar na montagem de feiras levados por uma empresa com sede na Capital. Contudo, segundo Elaine, agora o proprietário não quer se responsabilizar pelo transporte dos corpos, o que ela considera injusto já que a empresa levou os jovens para a montagem das estruturas dos eventos.

Ela afirma que já tentou dialogar com o empresário, mas até aqui, ele sinalizou apenas com um possível acordo no qual ele usaria os salários dos rapazes para pagar parte do pagamento do traslado, estimado em cerca de R$ 12,5 mil. "Os valores devidos aos três jovens pelo serviço prestado em Campo Novo do Parecis seriam de cerca de R$ 11 mil, mas o empresário propõe usar para custear o traslado. Isso não é correto", analisa.

"Eu só quero enterrar meu filho", diz mãe
Elaine assegura que rapazes não tinham ligação com facções (Foto: Valdelice Bonifácio)

"Na verdade, isso é um absurdo. Parece que os meninos foram trabalhar para pagar o traslado depois da morte. Não está certo", completa a mulher. Elaine tem outros dois filhos, entre eles uma adolescente de 16 anos que passou mal ao saber do desaparecimento do irmão e precisou ser medicada em uma UPA no fim de semana.

Elaine afirma que Breno era um menino trabalhador e cheio de sonhos, assim como Wagner e Wilquison. Eles eram vizinhos e cresceram praticamente juntos no Bairro Aero Rancho, na Capital. "Ao contrário do que estão dizendo, meu filho ou os outros dois não tinham ligação nenhuma com facção criminosa ou usavam drogas. Eles foram mortos por pura maldade", acredita a mulher.

Segundo a Polícia Civil de Parecis, após a prisão, ambos suspeitos assumiram participação no sequestro. Os investigadores ainda apuram os detalhes da ocorrência enquanto procuram o terceiro envolvido.

"Eu só quero enterrar meu filho", diz mãe
Presos, suspeitos admitiram o crime (Foto: Divulgação)

Os dois suspeitos foram autuados pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e sequestro. O adolescente, além de responder por atos infracionais análogos a esses crimes, também foi autuado em flagrante por ato infracional análogo ao tráfico de drogas.

O trio estava hospedado em um alojamento e foi visto pela última vez na madrugada de sábado (4), por volta de 0h40, quando conversavam antes de dormir. Ao amanhecer, os jovens já não estavam no local, sem deixar qualquer informação sobre o paradeiro.

Parte de seus pertences pessoais permaneceu no alojamento, incluindo um celular que foi encontrado carregando. Não houve registro de transporte solicitado ou indícios de que a saída tenha sido planejada.

"Eu só quero enterrar meu filho", diz mãe
Corpos foram encontrados em área de mata (Foto: Divulgação)

Outro lado - A empresa que levou os meninos para trabalhar em Campo Novo do Parecis, a STANDS MS foi acionada pelo Diário Digital, e respondeu com uma nota que segue abaixo na íntegra:

“A STANDS MS informa que está acompanhando, com respeito e prudência, os fatos relacionados ao caso noticiado. Desde o início, a empresa prestou às autoridades as informações objetivas de que dispunha e permanece à disposição para colaborar com a apuração oficial. Em respeito às famílias e ao trabalho das autoridades competentes, não fará comentários adicionais neste momento, a empresa seguirá prestando a colaboração cabível.”

Confira a galeria de imagens:

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