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Polícia

Denúncia torna réus 20 ligados à disputa pelo jogo do bicho

Comando do grupo, estruturado por familiares, usava de violência, envolvimento de parlamentar e policiais para monopólio pelo negócio ilegal

Sexta-feira, 09 Janeiro de 2026 - 15:51 | Issel Chaia


Denúncia torna réus 20 ligados à disputa pelo jogo do bicho
(Foto: Divulgação/MPMS)

Vinte pessoas com envolvimento na organização criminosa armada do jogo do bicho, alvos da quarta fase da Operação Successione, tornaram-se rés após denúncia apresentada pelo Gaeco/MPMS à Justiça Estadual.

Com a decisão judicial, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, confirma que a acusação é legal, expondo fatos criminosos sobre a disputa pelo monopólio na capital e no interior do estado, sob comando de um núcleo familiar com sede em Dourados.

Conforme investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco/MPMS), o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas e lavagem de dinheiro. Ainda, utilizavam empresas de fachada afim de ocultar as atividades ilícitas.

Os envolvidos respondem pelos delitos de integração em organização criminosa, exploração do jogo do bicho, lavagem de capitais e corrupção ativa.

De acordo com os dados levantados durante as investigações, o Gaeco/MPMS pediu para a Justiça o bloqueio de R$ 36 milhões, valor estimado de lavagem de capitais pela organização criminosa.

Grupo violento

Denúncia aponta o emprego de violência e a corrupção de agentes públicos para manter as atividades ilegais do grupo. Três episódios de roubo majorado de operadores do grupo oponente de exploração do jogo ilegal, aconteceram em outubro de 2023, em Campo Grande.

Dentre os réus, está o deputado estadual Neno Razuk, dois policiais militares da reserva, dois irmãos do parlamentar, Jorge e Rafael Razuk, e o ex-deputado estadual Roberto Razuk, patriarca da família.

As provas que fundamentaram o recebimento da denúncia inclui dados obtidos por interceptações telemáticas, que indicam a hierarquia interna e o controle financeiro do negócio ilegal. 

Durante as ações, foram apreendidas mais de 700 máquinas de aposta, armas de fogo, munições e mais de R$ 270 mil em espécie. Documentos financeiros também provam a aquisição de bens móveis e imóveis em nome de terceiros afim de esconder a origem dos recursos. Com a ação penal, os acusados citados deverão apresentar resposta à acusação dentro do prazo de dez dias.

O despacho da 4ª Vara Criminal determina o anexo de medidas cautelares de busca, apreensão e sigilo telemático aos autos principais como subsídio a fase de instrução processual.

A Operação Successione, deflagrada em outubro de 2023, é uma ramificação da Operação Omertà, e visa apontar os sucessores da liderança do jogo do bicho em Campo Grande.

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