Plantão Saúde
‘Obedeçam decretos, ou fecha tudo’, diz prefeito
Para ser eficiente, fechamento total deveria durar ao menos 14 dias, explica Marquinhos Trad
Segunda-feira, 13 Julho de 2020 - 19:01 | Redação

O prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PSD) voltou a falar sobre a possibilidade de lockdown – fechamento total da cidade – durante entrevista ao programa Cidade Alerta MS, da TV MS Record, na noite desta segunda-feira, 13 de Julho. Marquinhos sempre foi contrário à medida, por não querer gerar transtornos à população e comerciantes, mas passou a estudar a possibilidade diante do descumprimento do distanciamento social e do toque de recolher (20h às 5h do dia seguinte) na Capital.
Ele esclareceu que neste momento, se levados em conta o número de infectados pelo novo corovavírus e a ocupação dos leitos de UTI, a medida não seria necessária. Contudo, ele e os técnicos de sua equipe se organizam para a possibilidade de fechamento total em caso de explosão do número de casos de Covid-19 e da falta de leitos hospitalares já que parte da população não colabora.
“O que vai decidir (lockdown ou não) é o comportamento das pessoas. Não é justo que o cidadão que cumpre as medidas, pague pelo que não cumpre (...) Porém, só tem dois caminhos, obedecemos regras ou vamos ter que fechar tudo por causa de uma minoria que não respeita as regras”, afirmou durante entrevista ao vivo. Ele também mencionou que se houver realmente o lockdown, para ser eficiente, a medida deverá durar ao menos 14 dias, do contrário, não surte efeito com base em constatações científicas.
A possibilidade de lockdown foi discutida com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e técnicos do governo nesta segunda-feira. Durante o encontro, Marquinhos ponderou que não adiantaria Campo Grande adotar o lockdown sozinha se os outros 16 municípios do entorno não fizerem o mesmo. “Se estes municípios vizinhos continuarem abertos, eles vão mandar doentes para cá”, explicou.
Conforme Marquinhos, o governador ponderou que uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) repassou aos municípios o poder de decisão sobre o fechamento total. Assim, se o governador decretar o lockdown, o prefeito do município pode contrariá-lo. Dessa forma, o governo teria proposto dialogar com os prefeitos, em vez de tomar medidas que poderiam não ser adotadas.
O prefeito da Capital mencionou que atualmente 75% dos 241 leitos de UTI contratualizados pela prefeitura estão ocupados, sobrando, portanto, 25% que permanecem disponíveis. Além de pacientes do interior, a Capital também está recebendo doentes vindo dos Mato Grosso, de acordo com Marquinhos.
Os números mais atuais da Covid-19 apontam que Campo Grande tem 4,6 mil casos confirmados da doença e 37 mortes. Em MS, são 13.461 casos e 167 mortos.
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