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Violência contra mulheres cresce em dias de jogos de futebol

Especialistas alertam para impactos físicos e emocionais e reforçam a importância da denúncia

Quarta-feira, 20 Maio de 2026 - 13:57 | Sandra Salvatierre


Violência contra mulheres cresce em dias de jogos de futebol
Para especialistas da área jurídica, a conscientização e a denúncia são fundamentais para romper o ciclo da violência. (Foto: Divulgação)

Milhares de torcedores acompanham partidas da Copa América, Brasileirão, Libertadores e outros campeonatos de futebol em todo o país. No entanto, um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 2022, revelou que, em dias de jogos de futebol masculino, os casos de violência contra a mulher aumentam mais de 23% nas grandes capitais brasileiras. Para especialistas da área jurídica, a conscientização e a denúncia são fundamentais para romper o ciclo da violência.

“A defesa das mulheres vai além da existência da lei. Trata-se de um compromisso coletivo que envolve respeito, igualdade e responsabilidade social. Defender as mulheres é garantir que elas sejam ouvidas, acolhidas e protegidas, rompendo ciclos de violência que, muitas vezes, permanecem invisíveis. É também combater todas as formas de agressão física, psicológica, moral, sexual e patrimonial reconhecendo que nenhuma delas deve ser tolerada”, destaca Ielly Barros. A especialista também ressalta a importância da denúncia como instrumento de transformação social.

“Canais como o Disque 180 possibilitam que vítimas e testemunhas busquem ajuda de forma segura e sigilosa. Denunciar não é apenas um ato individual de coragem, mas um passo fundamental para interromper a violência e evitar que ela se repita. O silêncio protege o agressor; a denúncia protege a vítima”, afirma. A campanha também busca ampliar o debate sobre respeito e igualdade de gênero, incentivando a participação masculina nas ações de conscientização. No site Não Fique Calado  é possível acessar informações sobre violência de gênero, formas de denúncia e canais de apoio. Além de reunir ferramentas de conscientização e acolhimento às vítimas, a iniciativa fortalece ações já desenvolvidas pela Estácio, como os Núcleos de Práticas Jurídicas (NPJ), que oferecem orientação jurídica gratuita à comunidade, e os Serviços-Escola de Psicologia, nos quais estudantes, supervisionados por profissionais da área, realizam atendimentos psicológicos.

Saúde física e mental - Sob a perspectiva médica, as consequências físicas da violência também exigem atenção imediata e especializada. Lesões como hematomas, fraturas, traumas cranioencefálicos e danos internos estão entre os casos mais frequentes e podem evoluir para complicações graves quando não recebem tratamento adequado.

Para Vera Lúcia Fonseca, os efeitos da violência atingem múltiplas dimensões da saúde. “A agressão física é um evento traumático agudo que produz consequências complexas e multifacetadas, impactando o corpo e a mente, com efeitos imediatos e de longo prazo. Como lesões somáticas podemos citar equimoses, escoriações, lacerações, ferimentos cortantes ou perfurantes, fraturas e traumas cranioencefálicos. Muitas vítimas desenvolvem dores crônicas, incluindo cefaleia, fibromialgia, dores pélvicas e abdominais”, explica. Do ponto de vista psicológico, os impactos também podem ser profundos e duradouros. Mulheres vítimas de violência apresentam maior risco de desenvolver ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático, além de prejuízos significativos na autoestima e nas relações sociais. Segundo Erica Vacilloto Fregonesi Domingues, o acolhimento psicológico é essencial para interromper o ciclo de violência.

“A violência não atinge apenas o corpo. Ela desestrutura a saúde mental, gera insegurança constante e pode levar ao isolamento. O acesso ao acolhimento psicológico é fundamental para interromper esse ciclo e promover a recuperação dessas mulheres”, destaca.

Com apoio do Instituto Yduqs, a iniciativa da Estácio reforça a importância dos canais oficiais de denúncia, como o Ligue 180, e destaca que o acesso à informação e o engajamento coletivo são fundamentais para reduzir os índices de violência e fortalecer a rede de proteção às vítimas. “Como a maior universidade do Brasil, entendemos nosso papel em levar informação e apoio à sociedade, conectando nossos serviços à iniciativa e fortalecendo a atuação dos Núcleos de Práticas Jurídicas e dos Serviços-Escola de Psicologia”, afirma Renata Tasca.

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