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Trio que executou homem em “tribunal do crime” vai a júri
Sexta-feira, 24 Abril de 2020 - 14:56 | Redação
Três homens acusados de integrar uma facção criminosa vão ser levados a júri popular por um executar um homem por conta de dívida de droga, no dia 28 de dezembro de 2018. A decisão de pronuncia foi determinada pelo juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, nesta quarta-feira (22).
Eles serão levados a julgamento por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além dos crimes de cárcere privado, ocultação de cadáver e organização criminosa, sendo que um deles é indicado como mandante do homicídio e líder da facção.
Segundo a acusação, no dia 28 de dezembro de 2018, na Favela Leão do Conde, em Campo Grande, os acusados, membros do "Primeiro Comando da Capital" – PCC, mataram a vítima após uma discussão no dia anterior numa praça localizada no bairro Maria Aparecida Pedrossian, sobre uma suposta dívida de droga . Ao descobrir que a vítima intermediava o comércio de entorpecentes tanto para a facção criminosa PCC, quanto para a facção rival "Comando Vermelho", um dos réus teria levado a vítima ao local conhecido como "Barraco do Vô", na Favela B13, no Bairro Jardim Noroeste.
No local, onde seria a primeira "cantoneira", também compareceram os demais envolvidos, mantendo a vítima em cárcere privado a fim de realizar seu "julgamento", nos moldes de outras ações criminosas já realizadas do chamado "tribunal do crime", onde os envolvidos mantêm contato via telefone com membros do alto escalão da facção, os quais emanam as ordens e comandam o julgamento.
Narra ainda a acusação que em determinado momento os denunciados decidiram pela "condução" da vítima para outro local. O ofendido foi então levado à "segunda cantoneira", localizada em uma residência abandonada na Favela Leão do Conde, onde os réus continuaram mantendo o ofendido em cárcere e deram continuidade ao julgamento até que um dos réus recebeu telefonema do Presídio de Segurança Máxima da Capital com a ordem de execução.
A vítima foi decapitada e esquartejada, sendo que os restos do corpo foram colocados num saco de lixo e jogados dentro de um tubo de captação de água próximo ao condomínio Terras do Golfe.
Ao todo, o Ministério Público Estadual ofereceu a denúncia contra seis pessoas. No entanto, o juiz afastou a participação de uma mulher e dois homens, por insuficiência de provas, determinando a realização do julgamento apenas para três denunciados, sobre os quais há provas de materialidade do crime e indícios suficientes de autoria.
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