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Teledermatologia acelera diagnóstico de câncer de pele em MS
Sistema amplia acesso a especialistas, resolve até 70% dos casos na Atenção Primária e organiza fila conforme gravidade
Terça-feira, 03 Março de 2026 - 13:00 | Sandra Salvatierre

O telediagnóstico em dermatologia vem transformando a assistência pública em Mato Grosso do Sul ao permitir que lesões cutâneas sejam avaliadas por especialistas sem que o paciente precise deixar o município de origem. A estratégia integra o Sistema de Telemedicina e Telessaúde (STT) e é ofertada nacionalmente pelo Universidade Federal de Santa Catarina, por meio do Telessaúde, em parceria com a Central Estadual de Telemedicina catarinense, referência no país.
Reconhecida pelo Ministério da Saúde como ferramenta capaz de ampliar a resolutividade da Atenção Primária à Saúde (APS), a tecnologia tem potencial para solucionar cerca de 70% das demandas sem necessidade de consulta presencial com dermatologista. O objetivo central é qualificar o acesso aos serviços de média e alta complexidade, classificar o risco das lesões e organizar encaminhamentos conforme a gravidade.
A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, destaca que a iniciativa fortalece o Sistema Único de Saúde ao reduzir deslocamentos desnecessários e agilizar a identificação de casos suspeitos de câncer. Segundo ela, a rapidez na triagem impacta diretamente o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes.
Fluxo estruturado e resposta em até 72 horas
O atendimento começa na Unidade Básica de Saúde, onde o médico identifica alteração suspeita e solicita o exame pelo STT, assumindo a triagem clínica. Em seguida, é realizado o registro fotográfico da área afetada etapa decisiva para a precisão diagnóstica, por profissional capacitado ou pelo próprio solicitante.
As imagens e informações complementares são enviadas pela plataforma digital e analisadas por dermatologistas especializados. O laudo, com estratificação de risco e conduta indicada, retorna à unidade de origem em até 72 horas.
O serviço contempla tanto suspeitas de melanoma quanto de câncer de pele não melanoma, além de outras dermatoses. Com isso, grande parte das situações é resolvida na própria APS, evitando encaminhamentos desnecessários e garantindo prioridade a quem realmente necessita de avaliação presencial.
A superintendente de Saúde Digital da Secretaria de Estado de Saúde, Marcia Tomasi, ressalta que o sistema organiza o fluxo assistencial ao priorizar casos de maior risco, aplicando tecnologia à gestão do cuidado e aumentando a eficiência da rede.
Diagnóstico precoce e impacto regional
Implantado em 2019, o serviço já alcança 28 municípios sul-mato-grossenses, com 43 pontos de atendimento ativos. Dados consolidados apontam identificação de casos de melanoma e de câncer não melanoma em diferentes macrorregiões, evidenciando a relevância da detecção precoce especialmente no melanoma, de maior agressividade.
Ao reconhecer a doença em estágio inicial e direcionar rapidamente para confirmação e tratamento, ampliam-se significativamente as chances de cura e controle.
A coordenadora do Telessaúde estadual, Rosângela Dobbro, enfatiza que a qualidade do registro fotográfico é determinante para o êxito do processo. Segundo ela, o exame somente é validado quando cumpre rigorosamente protocolos de imagem, identificação e consentimento formal do paciente, razão pela qual as equipes recebem capacitação contínua.
Estrutura, segurança e adesão municipal
Para integrar a iniciativa, o município formaliza adesão ao Telessaúde e adquire kit específico de dermatologia, composto por dermatoscópio, adaptador e equipamento de captura de imagem, respeitando padrões técnicos mínimos. Também é exigido cadastro no sistema, treinamento para registro adequado e cumprimento de normas de segurança, incluindo identificação correta das lesões e assinatura de termo de consentimento.
Situações graves ou pacientes sintomáticos não devem aguardar o parecer remoto e precisam ser encaminhados imediatamente à rede de urgência e emergência.
De caráter ambulatorial, a teledermatologia consolida a capacidade diagnóstica da Atenção Primária, reduz filas e deslocamentos, qualifica o encaminhamento especializado e contribui de forma decisiva para o enfrentamento do câncer cutâneo no Estado.
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