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Tatuadora encobre marcas da dor nas mulheres
Domingo, 08 Março de 2020 - 09:51 | Redação
Uma jovem de 25 anos ganhou destaque nas redes sociais e imprensa local, em Campo Grande (MS), ao se oferecer voluntariamente para ajudar mulheres a se livrarem de marcas da dor. A tatuadora Letícia Duarte Ferreira Maidana, 26 anos, vai encobrir tatuagens feitas com o nome do ex-parceiro abusivo, sem cobrar nada por isso.
A iniciativa dela rendeu admiração das mulheres. Por isso, a tatuadora foi escolhida para fazer parte das reportagens especiais para este 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.
A jovem já foi procurada por mais de 80 mulheres, todas com uma história de sofrimento em relações amorosas cujo namorado ou marido passou dos limites, e agora querem apagar o nome dos ex-companheiros. “Infelizmente, não tenho mais agenda. Pretendo atender 30 mulheres até o final de Abril e manter uma lista de espera. Tenho que conciliar com o meu trabalho”, explica.
A ideia surgiu quando Letícia ficou sensibilizada com história de uma mulher agredida pelo ex-namorado, um tatuador aqui mesmo da Capital. A jovem se ofereceu para apagar as tatuagens feitas durante o relacionamento. “Então, eu pensei que poderia ajudar outras mulheres usando o meu trabalho. O tamanho da procura e repercussão me surpreenderam”, afirma.
Letícia também se surpreendeu com as histórias por trás das tatuagens feitas nas mulheres. Ela conta ter ouvido relatos de homens que insistiram para terem seus nomes tatuados no corpo da mulher, reivindicando uma prova de amor, quando na verdade queriam uma marca de posse.
“Uma delas foi enganada pelo namorado que a levou a um tatuador para desenhar um gato nas costas. O gato realmente foi desenhado, mas com o nome dele embaixo, sem que ela fosse consultada. Ela não queria aquilo”, comenta.
Outra que tinha o nome do parceiro tatuado no corpo há algum tempo decidiu terminar o relacionamento e só aí se deu conta do que a escrita na pele dela representava para o então namorado. “O cara disse para ela ‘ninguém vai te querer, você tem meu nome tatuado no corpo’. É uma demonstração de posse”, avalia.
Regra de trabalho - Com base nesta experiência, Letícia decidiu que não tatuará nomes de parceiros (homens ou mulheres) na pele dos clientes por ter constatado que tal atitude pode representar arrependimento futuro. “Se os clientes vierem até mim, vou sugerir desenhos que remetam a amor ou relacionamento, mas nomes de companheiros não vou tatuar.”
Segundo a tatuadora, várias mulheres relataram que após tatuarem o nome do companheiro, a relação piorou. “Eles passaram a agir como se fossem donos delas”, alerta. Para Letícia, mesmo datas de início de relacionamento não são recomendáveis, pois podem ser tornar mais tarde marcos do sofrimento.
Agora, Letícia está decidida a ajudar mulheres a recuperarem sua autoestima e a pararem de esconder o corpo por causa das tatuagens com o nome do ex. “Isso vai mudar a relação delas com o próprio corpo. Quando olham para a tatuagem, elas choram e algumas se odeiam. Quero que se olhem no espelho e se sintam melhor”, comenta.
A tatuadora ficou tão impactada com as histórias que pretende ir mais a fundo. Ela vai preparar questionários para serem preenchidos pelas mulheres que forem encobrir as tatuagens em seu estúdio. “Vou perguntar de quem foi a ideia, quem pagou, se ela já sofreu agressão e outros questionamentos, sempre anônimos”, informa.
Seu objetivo é conhecer o problema com mais profundidade e, com isso, preparar uma futura peça audiovisual com a qual possa conscientizar as mulheres e atingir os homens para que repensem suas atitudes.
Autoral – Letícia só faz tatuagens autorais. “Todas são as exclusivas. Nenhum cliente tem igual ao outro.” Segundo Letícia, as mulheres são as que mais se identificam com o trabalho dela. A maioria dos seus desenhos tem relação com o universo feminino. Ela explora tema como libertação da mulher e empoderamento.
Desenhista desde criança, ela começou a tatuar quase de brincadeira com amigos. Atualmente, a jovem é formada em Arquitetura e Urbanismo, mas foi tatuando que ela se realizou. “Sempre tive uma relação muito forte com a arte. Eu tive depressão e o desenho era onde me refugiava”, revela.
Letícia vivia em Curitiba (PR), mas desde Agosto do ano passado se estabeleceu em Campo Grande, onde abriu estúdio e tem cativado a clientela. O ‘Letícia Maidana Art’ fica dentro do Laricas Cultural, um endereço novo de programações culturais, em Campo Grande.
Serviço - O Laricas Cultural fica na Rua Antônio Maria Coelho, 1663, Centro de Campo Grande. Letícia atende de terça a domingo. O trabalho dela pode ser conferido pelo Instagram @leticiamaidana.art.
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