• Diretor de Redação Ulysses Serra Netto

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Polícia vai ouvir irmã que teria explorado deficiente auditiva

Sexta-feira, 26 Junho de 2020 - 15:33 | Redação


A Deam, (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) está investigando o caso de uma mulher de 39 anos que denunciou a irmã e o cunhado, com quem vivia no Bairro Nova Lima, em Campo Grande, por sofrer humilhações, ter a liberdade restringida e ser explorada. Com deficiência auditiva, ela foi a primeira vítima de violência doméstica resgatada, na tarde desta quinta-feira (25), em Mato Grosso do Sul com o sinal do “X” na palma da mão que faz parte da campanha Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica.

A mulher e a filha de três anos passaram a noite abrigadas na Casa da Mulher Brasileira e estão à espera de parentes de Anastácio (MS) que virão busca-las. Segundo a delegada titular da Deam, Fernanda Félix Mendes, o caso foi registrado como Injúria Real, quando há xingamentos e violência. “Nós ainda vamos ouvir a irmã e outras testemunhas para apurar a denúncia e se houve agressões físicas. Também estamos investigando se houve o crime de apropriação indébita de previdência”, explicou a delegada, já que a vítima disse que tinha o benefício social tomado pela irmã.

Violência Doméstica - Segundo a Polícia Militar, a vítima veio para Campo Grande, com a filha de três anos, para cuidar do pai doente. No entanto, alega que foi escravizada pela irmã e presa dentro da casa, já que não tinha permissão nem para ir ao médico por causa da depressão, era responsável por todo serviço doméstico, além de cuidar do pai.

Sem saber como fugir dessa situação de violência, a mulher viu a campanha Sinal Vermelho nas mídias sociais, esperou a oportunidade de ficar sozinha em seu quarto, desenhou um “X” vermelho na mão, fotografou e enviou a imagem por aplicativo de conversa para familiares de Anastácio (MS), onde tem uma filha casada.

Ao receber a mensagem, a filha pediu ajuda de uma vizinha amiga da família e juntas acionaram as policiais militares do Programa Mulher Segura (Promuse) daquela cidade. Depois disso, foi apenas uma questão de tempo. As policiais pediram auxílio para a sargento do 1º BPM (Batalhão de Polícia Militar) de Campo Grande, Gizele Guedes Viana, do Promuse da Capital, que foi ao endereço indicado para o resgate da vítima.

Com a voz embargada, a sargento contou que foi até a residência e, quando viu os olhos da vítima, nenhuma palavra foi necessária. Tudo ficou claro naquele momento. A policial tem um familiar com deficiência auditiva e conhece a linguagem de sinais, o que facilitou a conversa com a vítima.

“A equipe operacional do Pelotão Nova Lima nos apoiou na ocorrência. O que eu senti? Foi emocionante. Uma experiência que vou levar para a vida inteira e olha que tenho 22 anos de PM. Essa campanha tem que ser propagada porque já começamos a ver os resultados”, relatou Gizele.

Sinal Vermelho - A campanha Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica foi lançada em todo o país para oferecer um canal silencioso de denúncia à vítima que, de sua casa, não consegue denunciar a violência sofrida e, ao conseguir sair para dirigir-se à farmácia ou drogaria, pode receber auxílio de um atendente.

Para se identificar, a vítima precisa apenas fazer um X vermelho na mão, mostrar à pessoa que a estiver atendendo, que esta ligará 190 e acionará a polícia. Tudo feito com discrição para não alertar o agressor, caso esteja acompanhando a vítima.

A campanha é do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), em parceria com os tribunais, associações e outros órgãos públicos e privados.

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