• Diretor de Redação Ulysses Serra Netto

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Pais retiram alunos de escola após adoção de filme com cenas eróticas

Quinta-feira, 01 Agosto de 2019 - 14:30 | Redação


A indicação do filme Frida como dever de casa levou pais a retirarem seus filhos de uma escola particular de Campo Grande. Ao menos cinco estudantes já deixaram o colégio e outros estariam prestes a fazer o mesmo, segundo famílias que denunciaram o caso a reportagem. A tarefa foi passada por um professor de inglês e só foi cancelada pela escola após reclamações, mesmo assim quando alguns alunos já tinham assistido o longa-metragem.

O filme protagonizado pela atriz Salma Hayek conta a história da aclamada artista mexicana Frida Khalo. A obra tem várias cenas de nudez e sexo. A classificação indicativa é para 14 anos, mas os alunos da 8ª série têm entre 12 e 13 anos. "Uma aluna da classe do meu filho viu o filme antes dele e comentou que era muito pesado. Eles nos falou e então eu e meu esposo fomos verificar. O filme é adulto com muitas cenas de sexo e palavras baixas", relata uma mãe.

Os pais enviaram fotos do filme para o coordenador da escola, que informou que a tarefa seria cancelada. Ele admitiu que a contratação do professor de inglês teria sido precipitada. Segundo o coordenador, a professora que o antecedeu no posto deixou a escola de um dia para o outro, forçando a contratação urgente de um substituto.

"Contudo, o cancelamento da tarefa foi a única coisa que a escola fez. Não houve uma comunicação oficial com os pais. Procuramos uma das coordenadoras que chegou as nos dizer que estávamos dando importância demais para algo que ela considerava tão banal. Não gostamos do modo como um fato grave foi tratado. O filme é impróprio para crianças desta idade. A educação dos nossos filhos é algo sério para nós", disse um pai.

Além da escolha da obra, as famílias reclamam ainda que o professor indicou que o longa fosse assistido em uma plataforma que exibe filmes piratas, disseminando um comportamento desonesto entre os alunos.

A escola em questão é a Gappe, localizada no Bairro Monte Castelo. O caso aconteceu no mês de Maio e segundo as famílias, o colégio não queria que o professor se desligasse. “Depois dos fatos, ele nunca mais apareceu na escola, mas pelo que sabemos foi ele quem se demitiu. A direção queria que ele ficasse”, comenta uma mãe.

O assunto gerou polêmica no grupo de WhatsApp dos pais. A maioria discordou da adoção do filme. Porém, houve quem defendesse. A discussão descambou para ameaças, segundo interpretação dos pais. Um boletim de ocorrências por Preservação de Direito foi registrado pela família que se sentiu intimidada.

Ainda de acordo com os pais, Frida não foi a primeira obra fora da classificação indicativa usada por professores da escola. Em 2018, ocorreram dois casos na aula de geografia. Eles mencionaram o Racismo e Resistência, para 16 anos, mas adotado para alunos de 11 a 15 anos; e Clima e Desigualdade, na mesma situação. Ambos têm cenas de prostituição e mulheres seminuas.

Outro lado – A diretora da escola, Sandra Ferreira, disse estranhar a manifestação dos pais somente agora, sendo que o problema ocorreu no mês de Maio. Ela explicou que o professor de inglês estava em período de experiência e que foi dispensado após o episódio, sem que a escola tivesse qualquer intenção de mantê-lo em seus quadros.

“Ele passou um filme que não estava planejado por sugestão de uma aluna da classe. Não é do nosso costume mandar os estudantes assistirem filmes em casa e muito menos em plataformas piratas. Os pais vieram nos questionar. Admitimos que o professor realmente estava errado e ele foi demitido. Além disso, quando tomamos conhecimento, a tarefa foi imediatamente cancelada. Ou seja, tomamos todas as medidas cabíveis ao caso”, argumenta a diretora.

Sandra afirma que a escola esteve sim aberta ao diálogo com os pais após o ocorrido. “Acredito que estas famílias que retiraram seus filhos do Gappe já estavam insatisfeitos com outras coisas. Respeitamos a posição deles de transferir os alunos”, afirma. A diretora disse desconhecer a adoção dos filmes Racismo e Resistência e Clima e Desigualdade na aula de geografia, conforme reclamação dos pais.

A escola Gappe funciona há 25 anos e atende cerca de 400 alunos, da educação infantil ao 9º ano.

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