• Diretor de Redação Ulysses Serra Netto

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Negócio que preserva a natureza

Quarta-feira, 05 Junho de 2019 - 13:00 | Redação


O químico Felipe Andrade se dedica há 10 anos a um negócio cuja atividade é preservar a natureza. A empresa na qual atua, a Ecosupply, localizada na saída pra Cuiabá, em Campo Grande (MS), vive da decomposição de resíduos perigosos e poluentes. A unidade destrói estes materiais até que não sobre mais nada que possa agredir o meio ambiente. Além disso, a empresa passou a comprar sucata ferrosa dos catadores que atuam na Capital e criou o programa Heróis da Reciclagem, uma espécie de acolhimento destes trabalhadores autônomos.

Neste 5 de Junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, o Diário Digital relata o passeio na unidade fabril que"" se revelou um verdadeiro mergulho no mundo da logística reversa que nada mais é do que o reaproveitamento ou descarte apropriado de materiais e a preservação ambiental. Dentro da fábrica, o trabalho é muito bem organizado para separação dos materiais e definição do destino de cada um deles. A empresa tem dezenas de licenças de atuação que precisam ser renovadas todo ano. É a própria Ecosupply quem faz a coleta junto aos clientes; os principais são indústrias, postos de combustíveis, oficinas, lava-jatos e outros.

Por lei, estas empresas são obrigadas a fazer a destinação correta de seus resíduos. Assim, os veículos da Ecosupply, apropriados para o transporte da carga perigosa, recolhem, por exemplo, embalagens de óleo, lubrificantes, uniformes, terra e água contaminados. “Quando chega aqui na unidade, cada resíduo tem sua destinação própria. As embalagens podem ir para a reciclagem; partes dos filtros de óleo, por exemplo, viram material combustível e a água passa por descontaminação para ser escoada pela rede de esgoto”, exemplifica Felipe.

Antes de ser dada a destinação às embalagens, resíduos ou líquidos, amostras são levadas ao laboratório da empresa. É ali que os técnicos em química definem os produtos usados para descontaminação e a quantidade.

As embalagens recicláveis são lavadas e enviadas às indústrias paulistas que transformam o plástico em"" mangueiras. Já os materiais não recicláveis viram combustível para os fornos das fábricas de cimentos no município de Bodoquena. “As fábricas deixam de usar petróleo e utilizam o combustível que a gente produz. E não há qualquer passivo ambiental, pois os gases emitidos são controlados por filtros. E as cinzas dessa queima são incorporadas ao clinquer (fase básica) do cimento”, explica.

O laboratório, inclusive, toma a precaução de guardar amostras, para controle de qualidade, de todo o material enviado à indústria de cimento.

Já a água passa por tratamentos físico-químicos até que esteja totalmente descontaminada para ser despejada na rede de esgoto. No processo, são usados cloreto de ferro, sulfato de alumínio e coagulantes que “roubam” os contaminantes da água. A empresa também faz o reuso da água, de modo que o líquido descontaminado é usado para levar embalagens e serviços de limpeza.

Destinação X Depósito – Felipe tem orgulho do negócio que ele considera o caminho verdadeiro para proteger o meio ambiente. Ele é crítico da política de aterros sanitários vigente nos municípios brasileiros. “O aterro é apenas um local de disposição dos resíduos, não é tratamento ou destinação. Para poupar o meio ambiente de danos é preciso dar uma destinação verdadeira aos resíduos e não depositar em um aterro”, opina.""

Ele conta que todos os clientes da Ecosupply recebem certificado da destinação final de seus resíduos. Além disso, as empresas são presenteadas com kits para a disposição seletiva dos resíduos. Cada um dos tambores que compõem o kit tem cores diferentes e identificação para evitar a mistura dos materiais descartados.

Quando projetou a fábrica, aliás, Felipe esperava uma procura bem maior pela logística reversa, em razão do aparente crescimento da conscientização ambiental entre as empresas. Contudo, ainda não tem tantos clientes quanto imaginou. “A fábrica foi superdimensionada. Hoje tratamos 300 mil litros de resíduos por mês, mas poderíamos receber dois milhões”, afirmou.

Atualmente, a fábrica emprega 70 pessoas direta e indiretamente.

Sucata ferrosa – Uma nova linha de atuação da Ecosupply surgiu de forma inesperada. Há cinco anos, a empresa começou a ser procurada por catadores de sucata que queriam vender os produtos. A empresa não só incorporou a oferta, como criou um programa de capacitação e valorização dos catadores, o Heróis da Reciclagem.""

Através dele, os catadores são reunidos na sede da empresa para ouvirem palestras com especialistas de várias áreas, inclusive, de trânsito. Eles são orientados, por exemplo, sobre resíduos perigosos (que não podem recolher) e instruídos a trabalharem de maneira segura, evitando ferimentos e contaminações.

“Infelizmente, as pessoas não percebem, o quão o trabalho deles é importante para meio ambiente. Queríamos fazer algo que os valorizasse e aí surgiu o programa”, comenta Felipe. O programa fornece equipamentos de segurança, cestas básicas e até já sorteou um carrinho para coleta entre os catadores.

Atualmente, a empresa processa cerca de 1,5 mil toneladas de sucata por mês. O material é revendido a siderúrgicas de São Paulo.

Complemento de renda – O aposentado Valter de Souza Sandin, 72 anos, está entre os catadores que descobriram na Ecosupply um endereço fixo de venda da sucata recolhida na rua. Aos menos duas vezes por mês, ele chega ao local com o carrinho cheio de sucata ferrosa. “Tem de tudo, armários, fogão, máquinas de lavar, armação de cadeiras, lata de tinta, portas e tudo o que aparecer”, afirma Valter.""

Ele recolhe o material na região do Jardim Colúmbia há nove anos. “Faço isso para complementar a minha aposentadoria, só com ela não dá pra viver”, explica.

Felipe torce para que a Ecosupply seja descoberta por outros catadores e até pela população que deseja vender a sucata inservível. É um negócio no qual ele investe não só pela lucratividade, mas pelo gosto de empresariar para a mais importante das causas, a sobrevivência de todos.

Serviço - A Ecosupply fica localizada Avenida Cônsul Assaf Trad, 2651 - Cel. Antonino, Campo Grande – MS. O telefone é 67- 3373-0104.

Assista abaixo vídeo sobre o projeto Heróis da Reciclagem:

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