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MS inicia aplicação de imunizante contra bronquiolite em bebês e crianças

Anticorpo monoclonal nirsevimabe passa a ser ofertado pelo SUS para reduzir internações e proteger recém-nascidos mais vulneráveis em todo o Estado

Quarta-feira, 04 Fevereiro de 2026 - 14:50 | Sandra Salvatierre


MS inicia aplicação de imunizante contra bronquiolite em bebês e crianças
O Ministério da Saúde autorizou ainda o resgate vacinal para crianças nascidas a partir de agosto de 2025, desde que atendam aos critérios do informe técnico vigente. (Fotos: André Lima)

Mato Grosso do Sul iniciou, na segunda-feira (2), a aplicação do imunizante contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite, em bebês prematuros atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). As primeiras doses foram administradas na Maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande, marcando o início da estratégia estadual de proteção voltada aos recém-nascidos mais vulneráveis.

A ação é conduzida pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES), em parceria com as maternidades e unidades que integram a rede de atenção neonatal.

Público-alvo e critérios

Conhecido como nirsevimabe, o anticorpo monoclonal é indicado para bebês nascidos com até 36 semanas e 6 dias de gestação, além de crianças com comorbidades, como cardiopatias congênitas, síndrome de Down e fibrose cística. O público contemplado inclui crianças com até 24 meses de idade, conforme critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

O imunizante é direcionado à prevenção de infecções graves provocadas pelo VSR, como bronquiolite e pneumonia, responsáveis por elevada taxa de internações pediátricas.

Esquema de aplicação

Para bebês prematuros, o protocolo prevê dose única. Já para crianças com comorbidades, com até 24 meses, o esquema inclui duas doses, administradas em períodos sazonais distintos, de acordo com a exposição ao vírus.

O principal objetivo da estratégia é reduzir internações hospitalares, especialmente nos meses de maior circulação do VSR, período historicamente marcado por pressão sobre os leitos pediátricos.

Avanço no SUS

A incorporação do nirsevimabe à Rede de Imunobiológicos Especiais do SUS representa um avanço significativo para a saúde neonatal. Segundo a técnica da Coordenação Estadual de Imunização da SES, Maristela Chamorro, a oferta contínua amplia o acesso à proteção.

“O nirsevimabe chegou em um momento oportuno e passa a ser ofertado de forma permanente. Bebês prematuros e crianças com comorbidades terão acesso à proteção, conforme os critérios definidos pelo Ministério da Saúde”, afirma.

Antes do início da aplicação, a SES realizou levantamento técnico sobre nascimentos prematuros e capacidade das maternidades, garantindo o envio proporcional de doses conforme a média mensal de cada unidade.

Distribuição nos municípios

Nos demais municípios, o acesso ocorre por meio do Sistema E-Crie, plataforma digital da SES responsável pela solicitação e distribuição de imunobiológicos especiais para os 79 municípios sul-mato-grossenses. O Ministério da Saúde autorizou ainda o resgate vacinal para crianças nascidas a partir de agosto de 2025, desde que atendam aos critérios do informe técnico vigente.

Aplicação nas maternidades

Na Maternidade Cândido Mariano, a coordenadora de imunização, Keila Lacerda, informa que a aplicação ocorre semanalmente. “A administração acontece às quintas-feiras, nas unidades intermediárias e UTIs neonatais. Esse imunizante representa uma grande conquista, já que antes só estava disponível na rede privada”, destaca.

Segundo Keila, o Estado registrou aumento expressivo nas internações por bronquiolite nos últimos anos. “No ano passado, enfrentamos uma crise de leitos devido aos surtos. A expectativa é que essa estratégia contribua para reduzir significativamente as internações”, completa.

Proteção complementar

A diretora técnica da maternidade, Karina Zucarelli, ressalta que o planejamento adotado amplia a proteção dos recém-nascidos. “A vacina aplicada na gestante, a partir da 28ª semana, protege o bebê ainda durante a gravidez. Já o nirsevimabe garante proteção direta ao recém-nascido. Essa combinação fortalece o enfrentamento ao vírus nos primeiros meses de vida”, explica.

Impacto para as famílias

Entre os beneficiados está a bebê Melina, nascida com 32 semanas e que permaneceu 43 dias internada na UTI Neonatal. A mãe, Paula Rodrigues, destaca o alívio proporcionado pela imunização. “Minha filha nasceu prematura e passou muito tempo internada. Saber que ela está recebendo essa proteção traz mais segurança e tranquilidade para nossa família”, relata.

Paula também enfatiza o impacto social da oferta pelo SUS.

“É um imunizante de alto custo. Nem todas as famílias conseguem pagar. Receber essa proteção gratuitamente faz toda a diferença”, afirma. Na rede privada, o valor do nirsevimabe pode variar entre R$ 1.500 e R$ 3.500.

Como acessar

Em Campo Grande, o acesso ocorre mediante contato prévio com a Sesau pelo telefone (67) 99875-3662, para orientações e agendamento. Após o contato, as famílias são encaminhadas às Unidades Básicas de Saúde dos bairros Alves Pereira, Marabá, Jardim Presidente e Cristo Redentor.

As maternidades Santa Casa, Hospital Universitário, Hospital Regional e Cândido Mariano realizam a aplicação exclusivamente em bebês internados. No interior do Estado, as famílias devem procurar a Unidade Básica de Saúde do próprio município para receber orientações e encaminhamentos.

 

 

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