• Diretor de Redação Ulysses Serra Netto

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Mosquito com bactéria será usado contra doenças do Aedes

Segunda-feira, 27 Janeiro de 2020 - 16:19 | Redação


O método Wolbachia de combate às doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti será implantado neste ano em Campo Grande. Por isso, a prefeitura iniciou nesta segunda-feira, 27 de Janeiro, o treinamento de cerca de 500 profissionais de saúde que vão orientar a população sobre a ação.

Este novo método consiste na liberação de Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia no meio ambiente. O objetivo é que estes mosquitos se reproduzam com os Aedes aegypti locais e gerem nova população mosquitos, todos com a bactéria.

A Wolbachia impede que vírus da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela se desenvolvam dentro do mosquito. Assim, em caso de picada, a população não será infectada.

Os mosquitos contendo a bactéria deverão ser soltos em bairros da Capital a partir do mês de Junho, em etapas. O cronograma está em fase de elaboração pela Secretaria de Saúde Pública (Sesau). Não está definida a quantidade de mosquitos que será lançada no meio ambiente. 

"A bactéria é uma proteção contra cinco vírus que deixarão de atingir o ser humano. O grande lance é que esta é uma ação complementar, ou seja, todas as ações preventivas do poder público serão mantidas", comentou o entomologista e gerente de projeto no Brasil Gabriel Sylvestre. 

Segundo ele, Wolbachia é um microrganismo que já faz parte da natureza aparecendo em 60% dos insetos.  Quando presente nestes mosquitos, ela impede que os vírus da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela se desenvolvam dentro do mosquito, contribuindo para redução destas doenças.

Eficiência - O método criado na Austrália pelo World Mosquito Program já opera em 12 países e mais de 20 cidades. Campo Grande é a terceira cidade brasileira a recebê-lo. A ação é realizada desde 2014 no Rio de Janeiro/RJ e Niterói/RJ. Conforme, Sylvestre dados preliminares que apontam a redução das doenças nas áreas o mosquito com Wolbachia foi introduzido.

Ainda de acordo com Sylvestre, a estimativa é de que até 2023 toda Campo Grande esteja coberta pelos mosquitos com Wolbachia.  No Brasil, a responsável pelo desenvolvimento dos mosquitos com a bactéria e a Fiocruz.

A preparação de Campo Grande para receber o método começou no ano passado, quando os pesquisadores recolheram armadilhas cheias de ovos do mosquito da dengue que foram encaminhadas para a Fiocruz no RJ. No laboratório, as larvas receberam a introdução da bactéria, dando início a uma geração de mosquitos com a Wolbachia.

Agora, os ovos postos por esta geração serão trazidos para Campo Grande em malotes. O material será encaminhado para o Laboratório Central de MS, o Lacen, onde os ovos irão eclodir. Quandos os mosquitos estiveram adultos -- machos e fêmeas -- serão lançados nos bairros da Capital, conforme o cronograma a ser definido.

Capacitações -   A primeira fase da capacitação dos agentes de saúde que começou nesta segunda-feira será realizada até o dia 3 de fevereiro. Depois, os profissionais começarão a realizar as atividades junto à comunidade para explicar sobre o novo método. 

Caberá a eles esclarecer que a Wolbachia é uma bactéria que só vive dentro da células dos mosquitos, ou seja, não pode ser transmitidas para seres humanos e animais. Também será explicado que o método Wolbachia não envolve modificação genética e é uma medida complementar. A população e o governo devem continuar a fazer todas as ações de controle. 

Nume segunda etapa, será feita a capacitação dos agentes de controle de endemias. Eles serão treinados para soltar os mosquitos no ar. O trabalho é feito com uso de tubos (veja fotos na matéria).

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