• Diretor de Redação Ulysses Serra Netto

Geral

Miss Trans enfrenta o preconceito sorrindo

Quinta-feira, 12 Dezembro de 2019 - 09:30 | Redação


Aos 21 anos, Mariane Cordon Cáceres foi eleita a Miss Mato Grosso do Sul Trans. Mas para chegar até essa conquista, ela garante que lutou muito e enfrentou vários obstáculos e o principal deles foi o preconceito. 

Mariane conta que  tudo começou há três anos quando mudou para Dourados para fazer a faculdade Artes Cênicas. Por meio  do curso passou a se envolver mais com o mundo artístico. Na época já se sentia bem resolvida como homossexual e  através dos estudos também se descobriu como travesti. Ela garante que hoje se encontrou como uma mulher trans. Logo após mudança de cidade, começou a fazer arte drag, mais conhecida como transformismo, e passou a fazer shows. 

Na parada  da diversidade da grande Dourados, Mariane recebeu o convite para o Miss Gay Mato Grosso do Sul. Embora nunca tenha pisado em uma passarela, aceitou. “ Como eu gosto de desafios, eu fui, me preparei e acabei vencendo o Miss Mato Grosso do Sul Gay 2018, como uma drag", afirma Mariane.

Ela afirma ter orgulho desse título que permitu se enxergar como  Mariane. Logo  após o concurso a  transformação foi na autoestima  e  percebeu  que muitas pessoas torceram por ela. “ Após o concurso comecei a me entender como mulher trans, eu comecei a não gostar mais do meu nome de registro, foi quando comecei o meu processo de autoaceitação”, explica Mariane.

Não é fácil viver no mundo que é rodeado pelo preconceito e  a transição sem dúvidas foi o momento mais complicado para Mariane. Ela  só se assumiu após estar convicta de quem  era. Em relação aceitação,  a miss explica que os pais aceitaram tranquilamente. Eles são apoiadores do seu trabalho, compareceram ao Miss MS Gay de 2018 e estiveram presentes em mais uma das suas conquistas no Miss MS Trans. “ É incrível contar com apoio deles, eles me apoiam de uma maneira grandiosa, eles  são meus maiores fãs, meus pai inclusive estilizou meu sapato do concurso”, afirma Mariane.

Preconceito

Em relação ao preconceito, Mariane é enfática. “ Eu lido com a discriminação sorrindo, mostrando que eu não sou um ser anormal”, diz.

A miss acredita que está incentivando várias pessoas. E explica que as pessoas pensam que uma pessoa trans faz o uso de intervenções cirúrgicas e  garante que não é necessário fazer o uso de silicones, por exemplo. Eu nunca tive vontade de colocar silicone ou fazer alguma mudança através de cirurgias, quero mostrar que todos podem vencer na vida, assim como eu estou vencendo”, conclui.  

Ainda sobre a discriminação, ela desabafa. “ É horrível viver com medo, conheci algumas pessoas que tinham medo de sair de dia porque eram trans, com medo da discriminação. Eu posso dizer que eu ocupo o lugar que eu quero, quando eu quero, eu sou uma jovem de 21 anos, católica e universitária”, ressalta.

Ao finalizar,  Mariane diz que o preconceito afirma que sofreu mais preconceito no meio LGBT e  que já foi chamada de “aberração” por uma mulher lésbica. Outra situação foi no dia do concurso em que foi insultada pela  torcida da concorrente dizendo que ela não era uma mulher trans porque não tinha silicone e apenas um homem montado. Ela  garante que lida com tudo isso sorrindo e afirma que passou 20 anos se odiando, mas agora  só quer se amar por que está  realizada como pessoa.

 

SIGA-NOS NO Google News