• Diretor de Redação Ulysses Serra Netto

Geral

Medo do coronavírus assombra passageiros do transporte público

Quarta-feira, 18 Março de 2020 - 17:07 | Redação


Muitos são os perigos em tempos de pandemia de coronavírus. Um deles é o transporte público, segundo os usuários de ônibus de Campo Grande. Isso porque os veículos concentram várias pessoas em ambiente fechado e por muitas vezes estão lotados, tornando assim impossível não estar muito próximo de alguém.

Na tarde desta quarta-feira, 18 de Março, a equipe de reportagem do Diário Digital, foi as ruas e ouviu a população sobre a utilização do serviço público diante do COVID-19.

Miriam Vitória é estudante e utiliza constantemente o transporte público, e relata que antes da suspensão das aulas saía de casa com apenas um sentimento, o medo. “Superlotação é o problema. Como vou aplicar medida de prevenção se tenho que ficar colada à outras pessoas”?, questiona indignada a estudante.

Antônio Marcos, é vendedor e usuário do serviço público de transporte. “Independentemente da situação, os cuidados na limpeza com os ônibus poderiam ser melhores”, destaca o vendedor. Ele ainda enfatiza que faz seu cuidado, lavando bem as mãos, e evitando conato ao chegar pois tem família e teme em levar o vírus para casa, já que no caminho até em casa corre riscos.

“Dentro do ônibus, minha proteção é a fé”, comenta Luiz Souza, de forma bem-humorada. Ele que utiliza ônibus em último caso. “No trabalho e em casa, tenho lavado sempre as mãos, mas que eu posso fazer no ônibus, não tem como se proteger.  Não tem um álcool em gel para gente usar nos ônibus, para ajudar a gente a se proteger. ”

Os cuidados são tomados no trabalho e em casa, entretanto, o problema é o percurso. “Nunca vi um álcool gel dentro de ônibus nenhum, e olha que a gente paga um absurdo para andar com medo de pegar doença”, comenta Fabiana Soares que trabalha em vendas na área central. Ela ainda complementa dizendo que, ao chegar em casa a primeira coisa a ser feita é correr para tomar banho.

Juliana Meira, trabalha como atendente em uma galeria do centro de Campo Grande e relata ter muito receio de andar de ônibus, ela ressalta que a pior parte é a quantidade de gente em um só ônibus. “Parece até que nos horários em que entro e saio do trabalho a quantidade de ônibus diminui, pois é sempre um aperto”, diz a atendente. Muitas medidas poderiam ser tomadas para deixar a população mais segura ao utilizar os ônibus. “Com o preço que pagamos distribuir uma máscara que custa R$0,50 não seria mais que obrigação”, sugere Juliana.

“Só pego ônibus porque não tenho outra alternativa. Pois morro de medo desse vírus novo. Uso todos os dias e nunca vi, nem se quer uma vez, ninguém higienizando os ônibus nos terminais”, fala Vitória Oliveira, que trabalha na região central utilizando máscara como medida de proteção”.

Está cena se repete todos os dias em ônibus do transporte urbano da capital, situação que vai na contramão de todas as orientações passadas pelos órgãos de saúde na prevenção ao novo coronavírus.

Outro lado - O Diário Digital questionou o Consórcio Guaicurus sobre a possibilidade de uso de álcool em gel nos ônibus a exemplo do que já está sendo feito em outras localidades. O consórcio informou que encontra dificuldades para comprar o produto que sumiu das prateleiras.

Porém, o consórcio afirma que realiza a limpeza todos os dias em sua garagem de forma eficaz, com uso de sabão, desinfetante e outros produtos.

Sobre as queixas da população de redução de ônibus neste período, o consórcio afirma que  "a frota vai ser disponibilizada de acordo com a demanda de passageiros."

Por dia, os cerca de 500 ônibus transportam 190 mil passageiros em Campo Grande.

SIGA-NOS NO Google News