• Diretor de Redação Ulysses Serra Netto

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Integrantes do PCC se contradizem durante julgamento

Quarta-feira, 12 Fevereiro de 2020 - 18:03 | Redação


Foi realizado na tarde desta quarta-feira (12), no Tribunal do Júri em Campo Grande, a primeira parte do julgamento de quatro homens que seriam integrantes de uma facção criminosa, acusados de sequestrar e decapitar John Hudson dos Santos Marques, conhecido como “John John”, em fevereiro de 2018.  Na denúncia feita pelo Ministério Público, constavam cinco réus, mas o defensor público pediu o desmembramento do processo após um deles entrar em contradição durante depoimento.

Em uma sessão atípica, marcada pelo número de réus e a periculosidade dos acusados, a segurança no Fórum da Capital foi reforçada. O juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri optou por realizar o julgamento em duas etapas e exigiu que os jurados passem a noite em um hotel, sem comunicação, até amanhã, às 8h, quando retornarão para a outra fase.

Foram levados a júri, Gabriel Rondon da Silva, o “Biel”; Maycon Ferreira dos Santos, conhecido como “De Menor”; Elionai Oliveira Emiliano, o “Coringa”; Tiago Rodrigues de Souza, o “Sincero” e Leonardo Caio dos Santos Costa, vulgo “Apolo”.

O primeiro a ser ouvido foi Biel que confessou o crime e disse ter matado a vítima para se vingar da morte do primo, pois  “John John” teria cometido o assassinato há dois anos. Segundo o acusado, ele, Maycon e Elionai estavam consumindo drogas e bebidas em uma festa de carnaval quando tiveram a ideia de matar a vítima.

Na noite de 14 de fevereiro, “John John” foi levado a estrada vicinal, na saída para Terenos, na BR-262.  Biel afirmou que Maycon conduziu o carro até o local e lá eles deram dois tiros que mataram a vítima. Já Elionai teria decapitado “John John”.  

Em seguida, no depoimento de Maycon, o acusado negou a participação no homicídio. Disse que apensar de conhecer Gabriel, não tinha nenhuma relação com a vítima e assumiu o crime na delegacia para proteger o irmão, Mackson Ferreira dos Santos, julgado e inocentado em agosto do ano passado.

De acordo com a denúncia, antes de ser executado, “John John” foi sequestrado e levado a um cativeiro no bairro Mário Covas que pertencia a Mackson, irmão de Maycon.

Diante do relato, o defensor público Rodrigo Stochiero que é o responsável pela defesa de quatro dos réus, solicitou ao juiz o desmembramento do processo por conta da divergência.

O juiz Aluízio Pereira dos Santos e o MP acataram o pedido e Maycon foi retirado do tribunal para ser julgado em nova data, sob a designação de outro defensor.

Na sequência, foi a vez de Elionai – o único dos réus que possuiu um advogado particular – ser ouvido. Mas, por orientação, ele optou em permanecer calado e não responder as perguntas do juiz e do MP.

Já Tiago e Leonardo Caio apresentaram versão semelhantes. O primeiro, afirmou que não conhecia a vítima e só teve contato com os outros acusados na delegacia. Tiago disse que no dia do crime estava em Jardim (MS).

Sobre o depoimento de Leonardo Caio, ele acha que foi citado como um dos envolvidos na execução da vítima por conta de uma dívida.  “Apolo” explicou que foi contrato como mula do tráfico para um transporte de droga, mas acabou preso em flagrante e as pessoas que o contrataram queriam cobrar o valor perdido com a apreensão. Ele também negou conhecer a a vítima e ou acusados.

Os cinco réus afirmaram que não são integrantes da facção criminosa.

O julgamento continua nesta quinta-feira (13), a partir das 8h, quando acusação e defesa irão apresentar suas teses.

Denúncia - “John John” era acusado de fazer parte de uma facção rival, o Comando Vermelho (CV). Por isso, por telefone com lideranças do PCC decidiram que ele deveria ser morto após julgamento do “Tribunal do Crime”.

Consta na denúncia que, no dia 13 de fevereiro de 2018, “John John” foi sequestrado por Gabriel, Tiago, Wellington e Leonardo e levado para um barraco no bairro Mário Covas que pertencia a Mackson, irmão de Maycon.

Na noite de 14 de fevereiro, “John John” foi levado a estrada vicinal, na saída para Terenos, na BR-262. Foi morto com dois tiros na cabeça, desferidos por Gabriel Rondon e Thiago Rodrigues. Elionai, usando faca fornecida por Maycon, decapitou “John John”. Wellington teria fotografado a ação, supervisionada por Leonardo.

Os integrantes do “Tribunal do Crime” foram identificados no decorrer do processo, presos entre os meses de abril e junho de 2018.

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