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IHP e Armada Boliviana fortalecem cooperação contra incêndios no Pantanal

Parceria une tecnologia, inteligência artificial e capacitação binacional para prevenção de desastres ambientais

Domingo, 17 Maio de 2026 - 15:48 | Sandra Salvatierre


IHP e Armada Boliviana fortalecem cooperação contra incêndios no Pantanal
O intercâmbio ocorreu no dia 12 de maio de 2026, com duração de seis horas, em um contexto considerado estratégico para ambos os países. (Foto: Eduardo Mello/IHP)

O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) e a Armada Boliviana consolidaram uma cooperação técnica voltada à prevenção de incêndios florestais e ao uso de tecnologias avançadas na região de fronteira entre Brasil e Bolívia. A iniciativa busca integrar conhecimento científico, inteligência artificial e estratégias de resgate de fauna para enfrentar os impactos climáticos sobre o Pantanal e o Chaco.

O intercâmbio ocorreu no dia 12 de maio de 2026, com duração de seis horas, em um contexto considerado estratégico para ambos os países. Em 2024, a Bolívia enfrentou o pior cenário de incêndios de sua história, levando a força naval boliviana a assumir protagonismo nas ações de resposta a desastres ambientais.

Por meio do Centro Nacional de Formación para Expertos en Desastres Naturales, a Armada Boliviana já capacitou cerca de 600 oficiais e civis. Atualmente, uma nova turma com 32 oficiais participa de um ciclo de formação de seis semanas, incluindo imersão nas metodologias utilizadas pelo IHP no Pantanal brasileiro. Além do cenário boliviano, a cooperação também ocorre em meio ao alerta para o período crítico de estiagem no Pantanal. O bioma está sob decreto federal de estado de emergência entre abril e dezembro de 2026.

Tecnologia e inteligência artificial no monitoramento

Um dos principais pilares da parceria é o compartilhamento de tecnologias de monitoramento para fortalecer a conservação em corredores de biodiversidade, como a Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar, em Corumbá, e áreas naturais bolivianas localizadas nos municípios de Puerto Quijarro, San Matías, San Ignacio de Velasco e Puerto Suárez.

Durante o intercâmbio, o IHP apresentou aos oficiais bolivianos ferramentas de inteligência artificial e sistemas de detecção precoce capazes de identificar focos de calor antes que se transformem em incêndios de grandes proporções. Entre as tecnologias utilizadas está o Sistema Pantera, desenvolvido em parceria com a startup Um Grau e Meio. A programação também incluiu oficina prática de resgate de animais silvestres em situações de desastre ambiental, com foco na proteção da biodiversidade pantaneira. Segundo o diretor-presidente do IHP, Angelo Rabelo, a atuação conjunta é essencial para a preservação dos ecossistemas transfronteiriços.

“A conservação do Pantanal não reconhece fronteiras políticas. Temos áreas fundamentais para serem protegidas, como é o caso da Rede Amolar, no Brasil, e as Áreas Naturais de Manejo Integrado San Matías e Otuquis, na Bolívia. Este trabalho conjunto é fundamental para garantir que os esforços de proteção sejam coordenados e eficazes em ambos os lados. Estamos unindo a experiência técnica do IHP com a capacidade operacional da Armada”, afirmou.

Cooperação binacional

Além da capacitação técnica, a parceria também representa um avanço diplomático para a consolidação de mecanismos legais que permitam ações binacionais mais ágeis no combate ao fogo, reduzindo entraves burocráticos durante situações de emergência.

O Capitão de Fragata José Martín Torrico Bravo, do 5º Distrito Naval Santa Cruz da Armada Boliviana, destacou a importância da troca de experiências entre os dois países. “Essa participação de oficiais nesse curso é importante porque amplia o conhecimento desses bombeiros florestais em torno do uso de tecnologias, cria uma possibilidade a mais de eles conhecerem técnicas para resgate de animais selvagens e permite que eles possam atuar de forma mais adequada caso encontrem espécies durante ações de campo”, ressaltou.

Fundado em 2002, em Corumbá, o IHP atua na conservação e restauração do Pantanal, no fortalecimento da cultura pantaneira e na promoção do desenvolvimento sustentável junto às comunidades tradicionais e povos originários.

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