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HU/UFGD recebe sinal verde para implantar Alta Complexidade em Oncologia

Acordo formaliza apoio para criação do Cacon, que poderá transformar Dourados em referência estadual no diagnóstico e tratamento do câncer pelo SUS

Domingo, 18 Janeiro de 2026 - 16:42 | Sandra Salvatierre


HU/UFGD recebe sinal verde para implantar Alta Complexidade em Oncologia
Além da assistência, a implantação do Cacon fortalecerá o papel do HU/UFGD como hospital universitário. No campo científico, o centro impulsionará o desenvolvimento de pesquisas clínicas, observacionais e translacionais. (Foto: A. Frota)

A Prefeitura de Dourados deu um passo decisivo para a implantação de um Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU/UFGD). A sinalização positiva ocorreu durante audiência entre o prefeito Marçal Filho, o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, e a direção do hospital e da UFGD, formalizando a manifestação de interesse do município como gestor pleno do Sistema Único de Saúde (SUS).

Participaram do encontro o superintendente do HU/UFGD, Hermeto Macario Amin Paschoalick, a vice-reitora e reitora em exercício da UFGD, Cláudia Gonçalves de Lima, e a gerente-administrativa do hospital, Danielly Vieira Capoano. “Na condição de gestor pleno do SUS, não poderia deixar de abraçar um projeto que vai transformar Dourados em referência estadual no diagnóstico e no tratamento do câncer”, destacou o prefeito Marçal Filho.

HU/UFGD recebe sinal verde para implantar Alta Complexidade em Oncologia
O planejamento prevê a construção de um novo bloco no HU/UFGD, com 60 leitos de internação, laboratório de anatomia patológica e ampliação dos centros cirúrgicos. 
(Foto: A. Frota)

Segundo o superintendente Hermeto Paschoalick, a implantação do Cacon já integra o planejamento institucional da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), da UFGD e do Ministério da Saúde. A expectativa é que a licitação do projeto técnico e da obra seja lançada ainda no primeiro semestre deste ano. “A previsão é de conclusão em 36 meses, quando Dourados passará a oferecer tratamento oncológico integral à população”, afirmou.

O prefeito ressaltou que o novo centro representará o fim do tratamento fracionado do câncer, prática que hoje obriga pacientes a se deslocarem para outros estados. “O cidadão terá acesso ao diagnóstico, ao tratamento e ao acompanhamento completo em um único ambiente. É um marco para a saúde pública e motivo de orgulho para o município”, enfatizou.

Estruturado como uma unidade hospitalar de alta complexidade, o Cacon contará com serviços integrados de diagnóstico, cirurgia oncológica, radioterapia, quimioterapia, oncologia clínica, hematologia, oncologia pediátrica e cuidados de suporte, como controle da dor, reabilitação e cuidados paliativos.

O planejamento prevê a construção de um novo bloco no HU/UFGD, com 60 leitos de internação, laboratório de anatomia patológica e ampliação dos centros cirúrgicos. “O projeto é um desdobramento do Plano Diretor Estratégico 2024–2028 e está alinhado à diretriz da Ebserh de ampliar e qualificar a rede nacional de cuidados oncológicos”, explicou Hermeto Paschoalick.

A gerente-administrativa Danielly Capoano ressaltou que a participação da Prefeitura é essencial para o avanço do projeto. “Como o HU/UFGD integra a rede SUS, a formalização da manifestação de interesse do gestor municipal é condição indispensável para o prosseguimento da implantação”, observou.

A proposta contempla contratação na modalidade integrada, reunindo elaboração de projetos e execução da obra. Após a manifestação formal do município, o planejamento será submetido às diretorias da Ebserh. “Com a aprovação institucional e a confirmação da disponibilidade orçamentária, será possível viabilizar a contratação ainda este ano”, avaliou o superintendente.

Para a vice-reitora Cláudia Gonçalves de Lima, o diferencial do futuro centro está na incorporação de tecnologia de ponta. “Os equipamentos de última geração reduzem significativamente o número de sessões de radioterapia. Enquanto um paciente tratado em Dourados hoje passa por até 18 sessões, em centros com tecnologia avançada esse número pode cair para cinco”, exemplificou.

Impacto regional

Dados epidemiológicos revelam a dimensão do problema. Entre 2019 e 2024, dos 23.300 pacientes da macrorregião Cone Sul que necessitaram de atendimento oncológico hospitalar, 45% buscaram tratamento fora de Mato Grosso do Sul, principalmente no Paraná e em São Paulo. Em procedimentos ambulatoriais, 46% das sessões de quimioterapia e 51% das de radioterapia foram realizadas em outros estados.

Ensino e pesquisa

Além da assistência, a implantação do Cacon fortalecerá o papel do HU/UFGD como hospital universitário. O serviço ampliará os cenários de ensino para cursos de graduação, residências médicas e multiprofissionais, além de educação permanente e especializações, com perspectiva de criação de residências em Oncologia Clínica, Cirúrgica e Multiprofissional.

No campo científico, o centro impulsionará o desenvolvimento de pesquisas clínicas, observacionais e translacionais, ampliando o acesso da população a protocolos inovadores e contribuindo diretamente para a qualificação da assistência oncológica no âmbito do SUS.

 

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