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HU-UFGD realiza primeira teleconsulta em aldeia indígena

Atendimento especializado por telessaúde conecta hospital à Reserva Indígena de Dourados

Quinta-feira, 28 Maio de 2026 - 17:19 | Sandra Salvatierre


HU-UFGD realiza primeira teleconsulta em aldeia indígena
O projeto atende comunidades da Reserva Indígena de Dourados, formada pelas aldeias Jaguapiru e Bororó, considerada uma das maiores reservas indígenas em área urbana do país. (Foto: Divulgação)

O Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados realizou o primeiro atendimento especializado por telessaúde destinado às comunidades indígenas da Reserva Indígena de Dourados (RID). A iniciativa marca o início da rotina assistencial do projeto voltado à ampliação do acesso à saúde especializada sem necessidade de deslocamento até a área urbana.

A teleinterconsulta ocorreu entre a Unidade Básica de Saúde Indígena (UBSI) da Aldeia Bororó e o hospital universitário. O paciente foi acompanhado presencialmente pela equipe da atenção básica indígena, enquanto o suporte especializado foi feito remotamente por médico do HU-UFGD.

O atendimento foi conduzido pelo endocrinologista Rafael Domingues de Moraes por meio da plataforma de teleatendimento. A UBSI da Aldeia Bororó e o hospital estão localizados a cerca de nove quilômetros de distância, dentro de Dourados.

Chefe da Unidade de e-Saúde do HU-UFGD, André Rogério da Silva destacou a integração entre as equipes durante a consulta.

“O paciente foi acolhido e acompanhado presencialmente pela equipe da UBSI, enquanto o atendimento especializado foi realizado remotamente por meio da plataforma de teleatendimento. Durante a teleconsulta, houve interação entre os profissionais da unidade e o médico especialista do hospital, permitindo discussão clínica, avaliação do caso e definição conjunta das condutas necessárias”, explicou.

Segundo ele, a experiência demonstrou viabilidade técnica e potencial para ampliar o cuidado especializado nos territórios indígenas.

“A avaliação da teleinterconsulta foi bastante positiva. A experiência demonstrou viabilidade técnica, boa articulação entre as equipes envolvidas e potencial significativo da telessaúde como ferramenta de ampliação do acesso ao cuidado especializado”, afirmou.

O projeto “Telessaúde como Ferramenta de Expansão da Conectividade e Acessibilidade ao Sistema Único de Saúde (SUS) em Território Indígena” é desenvolvido pela Unidade de e-Saúde do HU-UFGD em parceria com o Comitê de Saúde Indígena do hospital e a Secretaria Especial de Saúde Indígena, vinculada ao Ministério da Saúde.

A iniciativa foi lançada em 2025 após aprovação em edital da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul, com investimento de R$ 80 mil para aquisição de equipamentos e ampliação das equipes.

O projeto atende comunidades da Reserva Indígena de Dourados, formada pelas aldeias Jaguapiru e Bororó, considerada uma das maiores reservas indígenas em área urbana do país.

Desde o lançamento da proposta, o hospital estruturou a implantação do serviço com entrega de equipamentos como computadores, webcams, headsets, eletrocardiógrafos, oxímetros, estetoscópios e esfigmomanômetros para as unidades de saúde indígenas.

Em dezembro de 2025, cerca de 30 profissionais do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI-MS) participaram de treinamento promovido pelo hospital para operação dos equipamentos e integração ao sistema de telessaúde.

Coordenador do projeto, Junior Eduvirgem afirmou que os equipamentos representam avanço inédito no atendimento dentro da reserva.

Já o gerente de Ensino e Pesquisa do HU-UFGD, Thiago Pauluzi Justino ressaltou que a tecnologia deve reduzir deslocamentos, acelerar diagnósticos e ampliar a resolutividade dos atendimentos realizados diretamente nas aldeias indígenas.

 

 

 

 

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