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Hotel Gaspar será palco de perfomance de dança neste fim de semana

Apresentação promove estética de referências literárias e artisticas em torno da transformação do corpo

Quarta-feira, 06 Maio de 2026 - 15:15 | Redação


Hotel Gaspar será palco de perfomance de dança neste fim de semana
Intervenção é marcada pela ausência, resistência e reinvenção. (Foto: Divulgação)

Campo Grande recebe apresentação de dança neste final de semana. "Corpo Sobre Penas"  realiza sua estreia na cidade nesta esta sexta (8) e sábado (9), às 19h30, no Hotel Gaspar, localizado Avenida Mato Grosso, n.º 2, centro. A entrada é gratuita, com arrecadação de 1kg de alimento não perecível ou item de higiene, destinados à Central Única das Favelas (CUFA) da Capital.

A performance é a nova criação do do bailarino sul-mato-grossense Halisson Nunes, acadêmico do curso de dança pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). A obra têm como inspirações clássicos como “Vidas Secas”, do escritor Graciliano Ramos, “Retirantes”, do pintor Cândido Portinari, e na figura de Frankenstein da escritora Mary Shelley.

O artista afirma que a apresentação não pretende narrar essas referências, mas mostrar corpos fragmentados, em deslocamento e constante reconstrução em meio às adversidades, extraindo sua estética. “A inspiração não vem como dramaturgia, mas na plasticidade em si. Aqui a proposta não é reproduzir a figura de cada obra, mas a força e a ideia de movimento e de tempo que as imagens carregam”, enfatiza Halisson.

O espetáculo tem duração de 40 minutos e classificação livre. Além das apresentações, o projeto realiza uma roda de conversa no domingo (10), às 10h, ampliando o diálogo sobre o processo criativo. Haverá um café da manhã para recepcionar os participantes.

Em cena, o artista propõe uma experiência sensorial, acionando imagens da literatura e artes visuais. “É um corpo que se constrói no espaço, atravessando estímulos sensoriais e propondo a lentidão como gesto de resistência e diálogo com a plateia”, destaca o bailarino.

A apresentação parte do projeto  “Corpo Fantasma – Protótipo A”, com financiamento do Fundo Municipal de Investimentos Culturais, da Fundac. A performance ainda tem parceiria do esquizoanalista, produtor musical e artista de São Paulo, Fernando Martins.

Hotel Gaspar será palco de perfomance de dança neste fim de semana
Halisson apresenta ao público um corpo que se reorganiza diante da escassez. (Foto: Divulgação)

O produtor esteve presente na produção da trilha sonora, trabalhando no processo durantes os meses, intercalando encontros presenciais e investigações à distância entre os dois artistas.“O som não acompanha a cena, ele interfere. Afeta decisões, ritmo e presença”, destaca. Fernando afirma que a produção está em um estado mais fino de lapidação, sustentando a obra que se tem agora.

A performance contempla pesquisa de dez anos, com as técnicas de “Brain Diving” e “Dieta Aranha”, com criação de Fernando Martins. O esquizoanalista comenta que as práticas trabalham com o corpo e sua movimentação."[...] enquanto o Brain Diving opera como um mergulho nas camadas articulares e musculares, ativando respiração, impulsos e micro dinâmicas internas, a Dieta Aranha investiga possibilidades de relação que geram nossas ações; nela, a suspensão do tempo, o estiramento do movimento e a espreita configuram modos de perceber, conectar e compor com o ambiente”, explica.

Para Halisson, o trabalho do produtor complementa a obra produzida em parceria. “Conhecer o trabalho do Fernando amplia o campo de criação. Existe algo dessa pesquisa que atravessa a performance de maneira sensível, mesmo que não seja explícito”, destaca o artista.

Palco da estreia- Inaugurado na década de 1950, o espaço foi conhecido como "pai dos viajantes". O Hotel Gaspar foi um dos principais pontos de chegada e partida. O local funcionou como a primeira rodoviária da cidade, durante décadas.  Atualmente desativado, o espaço reabre de forma pontual para receber o projeto.

A proprietária, Chris Gaspar, afirma que Halisson demostrou respeito pelo lugar, o que contribuiu para acolher a obra no espaço. “Este vai ser meu último evento à frente do hotel, em função da logística. Contudo, gostaria que o poder público pudesse manter este legado, abrindo o hotel como espaço para cultura da cidade, com eventos, saraus, biblioteca” concluí Gaspar. 

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