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Hiperconectados e sozinhos: redes sociais mudam a forma como sentimos solidão
Interações no meio digital aumentam a sensação de sentir-se sozinho e perda de experiências
Domingo, 19 Abril de 2026 - 14:18 | Redação

O uso das redes socias faciltou acompanhar os acontecimentos na vida das pessoas ao redor do mundo. Ver quem está viajando, conquistando metas profissionais, reunindo se entre amigos, tornou se parte da rotina da maioria da população mundial. Ao mesmo tempo que o espectador recebe várias atualizações, cresce uma sensação sorrateira: a de estar ficando de fora.
O termo Fear of Missing Out, ou simplesmente FOMO, descreve esse sentimento de estar perdendo experiências, oportunidades ou interações sociais importantes. Como se enquanto há pessoas vivendo, outras sentem a vida estagnada. Fomentado pela dinâmica das redes sociais, o termo tem sido associado a quadros de ansiedade, estresse e ao uso compulsivo do ambiente digital.
O professor do curso Psicologia da Estácio, Paulo Henryque de Carvalho Carneiro Geraldes, explica que o FOMO é o medo de estar perdendo eventos e vivências. Ele ainda evidencia que o problema cresce quando a necessidade de acompanhar tudo o que acontece nas redes começa a afetar o equilíbrio emocional. “Esse sentimento pode funcionar como um gatilho para ansiedade crônica, depressão, insônia, dificuldade de concentração e um comportamento compulsivo de verificar as redes sociais o tempo todo”, comenta.
Apesar das redes sociais aumentarem as formas de comunicação, elas também criam a sensação de estar sozinho em meio a se conectar com muitas pessoas ao mesmo tempo. Isso ocorre porque as interações digitais nem sempre substituem os vínculos construídos na convivência cotidiana.
Segundo Paulo Henryque, essa situação dialoga com os estudos do sociólogo Zygmunt Bauman, que discorre sobre como as relações na sociedade contemporânea estão cada vez mais fluidas e instáveis, tornando os vínculos frágeis e facilmente descartáveis.
Essa lógica se apresenta de forma mais clara no meio digital, onde as pessoas podem se conectar, silenciar, bloquear ou excluir alguém com poucos cliques. Mesmo que a lista de contatos aumente, nem sempre as relações se aprofunda, podendo intensificar a sensação de isolamento.
Comparação que afeta- A sensação de inadequação tambem pode aparecer através da forma que a vida é mostrada em redes sociais. Esse ambiente cria uma atmosfera em que só o que é positivo é mostrado para os outros, como se fosse um filtro da realidade. “Quando alguém compara a própria vida com essas imagens idealizadas, pode surgir um sentimento de inadequação. A pessoa sente que não tem o corpo ideal, o emprego ideal ou a vida ideal, e isso pode afetar a autoestima”, explica o docente.
Curtidas, comentários e notificações também exercem um papel importante no comportamento digital. Cada nova interação funciona como uma pequena recompensa. Segundo o professor, esses estímulos ativam no cérebro o chamado sistema de recompensa, responsável pela liberação de dopamina, neurotransmissor associado à sensação de prazer.
Estar sozinho ou sentir-se sozinho- As redes sociais também apresentam a discussão sobre os conceitos de estar sozinho e sentir-se sozinho.
Estar sozinho refere-se a um estado físico objetivo, quando a pessoa está momentaneamente sem companhia. Já sentir-se sozinho envolve uma dimensão emocional mais profunda. “A solidão é uma percepção subjetiva de desconexão. Uma pessoa pode estar rodeada de gente e ainda assim sentir que não está sendo compreendida”, explica o professor.
O uso excessivo das redes pode começar a impactar a saúde mental quando interfere na rotina. Entre os sinais estão irritabilidade quando não se tem acesso ao celular, necessidade constante de verificar notificações, dificuldade de concentração, isolamento da vida social presencial e sensação frequente de vazio emocional.
O que fazer- Apesar dos riscos, especialistas lembram que as redes sociais não são necessariamente prejudiciais. O impacto depende da forma como são utilizadas. Entre as estratégias recomendadas estão estabelecer limites de tempo para o uso das plataformas, fazer pausas periódicas (conhecidas como detox digital), desativar notificações e priorizar encontros presenciais com amigos e familiares.
O professor também cita recursos que ajudam a reduzir estímulos no celular, como o aplicativo The Minimalist, que simplifica a interface do aparelho e pode contribuir para diminuir o uso compulsivo.
Quando o uso das redes começa a gerar sofrimento emocional ou prejuízos na rotina, a recomendação é procurar apoio profissional. Em uma sociedade cada vez mais mediada por telas, aprender a equilibrar o mundo digital com relações humanas reais tornou-se um desafio central para a saúde mental contemporânea.
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