• Diretor de Redação Ulysses Serra Netto

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Guarda municipal pode ser condenado a até 60 anos de prisão

Sexta-feira, 13 Março de 2020 - 17:13 | Redação


Um homem possessivo e ciumento que monitorava a namorada Maxelline da Silva dos Santos, de 28 anos, pela localização em tempo real, enviada pelo celular. Foi o que apontaram as investigações da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) sobre o guarda municipal Valtenir Pereira da Silva, de 35 anos, acusado de matar a jovem, além de Steferson Batista de Souza, dono da casa onde ela participava de churrasco, e balear a esposa dele, Kamilla Telis Bispo.

A Polícia Civil concluiu as investigações e indiciou Valtenir  por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, recurso que dificultou a possibilidade de defesa e feminicídio, pela morte de Maxelline. Além de homicídio duplamente qualificado pelo assassinato de Steferson Batista de Souza e  tentativa de homicídio, pelo o que fez com Kamilla. Somadas, as penas podem chegar a até 60 anos de prisão.

Segundo a delegada responsável pelo caso, Sueili Araújo, todas as testemunhas afirmaram que Valtenir tinha um ciúme doentio e mesmo depois da medida protetiva contra ele solicitada pela vítima, Valtenir a procurava. Exigia a localização em tempo real em todo lugar que Maxelline estivesse. “Ele agiu por ódio e por vingança, atirou na cabeça dela a curta distância”, afirmou a delegada.

Ainda conforme a delegada, muitas testemunhas só compareceram a Deam após a prisão do guarda municipal porque estavam com medo já que Valtenir culpava os amigos de Maxelline pelo fim do relacionamento. Motivo que levou a morte de Steferson e a tentativa de homicídio de Kamilla.

A delegada explica que “o que a investigação aponta é que, após o crime, ele estaria procurando outra amiga da vítima para, possivelmente, também matá-la. Nós recebemos denúncias anônimas e o depoimento de pessoas que ele poderia estar monitorando a testemunha".

Cinco dias depois do crime, Valtenir se entregou a Guarda Municipal. Ele está preso preventivamente.

Dinâmica do crime -  Conforme os depoimentos, no dia 29 de março, o autor foi até a casa de Camila e o esposo dela, Steferson, no Bairro Jardim Noroeste, onde a ex-companheira Maxelline estava em um churrasco. Segundo as testemunhas, o autor conversou por cerca de meia hora com a vítima, na tentativa de reatar o relacionamento, perto do portão da casa. Sem sucesso, Valtenir teria se irritado e tentou levar a ex a força do local. Foi neste momento, que Camila interferiu na discussão para ajudar a amiga e acabou baleada pelo guarda municipal. Ao ouvir o barulho do disparo, Steferson que estava do lado de dentro foi até a porta para ver o que havia acontecido e Valtenir atirou no tórax do rapaz.

Segundo as investigações, Maxelline viu o ex-namorado atirar em seus amigos e, na tentativa de contê-lo, segurou em seu braço. “Em seguida, friamente, o autor desferiu o terceiro disparo quase à queima-roupa na cabeça da vítima. Se trata de uma execução cruel”, relatou a delegada.

 Histórico - O guarda municipal tem histórico de violência doméstica e foi acusado de ameaça e de vias de fato fazendo uso de uma faca, em 2014. Maxelline havia pedido medida protetiva para que ele mantivesse distância. A solicitação foi feita em 17 de fevereiro por ameaça e violação de domicílio e concedida pela justiça 4 dias depois.  Valtenir ainda participou, na própria DEAM, em 2019, de um curso de capacitação de atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica, junto com outros colegas da corporação. A Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande abriu um processo disciplinar contra o servidor que foi afastado por 60 dias e determinou ainda que a arma usada por ele em serviço seja entregue à corporação.

 

 

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