• Diretor de Redação Ulysses Serra Netto

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Esperou receber o salário para se entregar

Sexta-feira, 06 Março de 2020 - 12:30 | Redação


Em depoimento que durou cerca de duas horas o guarda municipal Valtenir Pereira da Silva, 35 anos,  disse que  matou a ex-namorada, a professora Maxelline Santos, de 28 anos por um momento de descontrole. Ele  afirmou que não foi  ao encontro com intenção de matar Maxelline , apenas para conversar.

Segundo Valtenir,  ele havia reatado com a vítima após eles terem terminado o relacionamento no dia 16 de fevereiro.  Foi nesta data que a professora registrou o boletim de ocorrência contra o suspeito.

Maxelline resolveu reatar com Valtenir, mas teria escondido dos pais e amigos porque eles não aceitavam o relacionamento conturbado do casal. Eles chegaram a morar juntos, tinha uma união estável segundo a delegada da Deam (Delegacia de Atendimento à Mulher), Suelli Araújo, mas resolveram se separar.

Quando eles reataram Maxelline viu mensagens no celular de Valternir com a ex-mulher. Ela teria ficado com ciúmes e acabou brigando. Essa briga teria acontecido durante o almoço de sábado, no dia 29 fevereiro.

Chateado Valternir teria ido trabalhar a tarde como motorista de aplicativo  e ficou sabendo que a ex estava na casa da Camila Telis. Ele  foi até  o local para conversar. O casal chegou a ter um diálogo por 40 minutos, momento em que a briga começou e  Sterferson Batista teria ido defender a amiga e sua esposa Camila, mas acabou atingido por um tiro e morreu no local.  A esposa também foi atingida. Descontrolado,  ele também atirou na Maxelline que foi atingida na cabeça.

Ainda no depoimento o guarda municipal explicou que fugiu com medo. Durante os seis dias como  foragido ficou perambulando pela cidade, dormindo no estacionamento de supermercado e do Hospital Regional.

Questionando por que a demora para se entregar, ele explicou que precisava receber o salário do mês para entregar para a ex-mulher com quem tem uma  filha com problemas de saúde. Conforme o advogado de Valternir ele só se entregavaria na Guarda Municipal, com medo do que poderia acontecer. 

Valternir se apresentou hoje na Guarda Municipal do Bairro Aero Rancho onde ele trabalhava e foi encaminhado para Deam onde prestou depoimento e será encaminhado para presídio. Ele vai responder por homicídio qualificado, tentativa de homicídio e feminicídio.

De acordo com o Secretário de Segurança Pública de Campo Grande, Valério Azambuja, ao que tudo indica o guarda será expulso da corporação. O titular da Sesdes disse durante a coletiva que todo empenho para encontrar Valtenir foi feito. Valério  confirmou a ligação feita de Maxelline para a Guarda, Valternir já havia sido notificado sobre a medida protetiva.

Crime - O duplo homicídio e a tentativa de homicídio conteceu na noite de sábado (29). O guarda civil metropolitano matou  ex-namorada, a professora Maxelline Santos, de 28 anos, por não aceitar o término do namoro que durou aproximadamente sete meses. A vítima estava em uma casa no bairro Jardim Noroeste onde acontecia um churrasco entre amigos quando foi procurada pelo acusado. No portão do imóvel eles discutiram e Valtenir atirou na cabeça da ex que morreu na hora. A amiga de Maxelline, Camila Telis Bispo, de 31 anos,  tentou intervir, mas levou um tiro nas costas quando se virou para  fugir dos disparos. O namorado de Camila, Sterferson Batista, que também foi até o portão, acabou atingido no peito e faleceu no local. O guarda municipal fugiu de carro em seguida. 

Maxelline registrou um boletim de ocorrência com pedido de medida protetiva contra ele no dia 17 de fevereiro. A Justiça concedeu a medida e o guarda foi comunicado oficialmente no dia 24 de fevereiro, mas desrespeitou a ordem do judiciário. O guarda municipal  tem porte de arma funcional para revólver calibre 38. No fim de 2019 ele concluiu curso de capacitação para atendimento às situações de violência contra a mulher, realizado na Casa da Mulher Brasileira, onde funciona a Deam. Dois meses depois ele comete o crime em que foi capacitado para prevenir.

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