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Espera por transplante de córnea cresce em 2019

Segunda-feira, 05 Agosto de 2019 - 19:41 | Redação


O transplante mais realizado no mundo é o de córnea, membrana transparente do olho que capta as imagens e frequentemente é comparada ao vidro de um relógio por estar localizada na frente do globo ocular. Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido Burnier as lesões e doenças na córnea são a terceira maior causa global de deficiência visual. Só perdem para a catarata e glaucoma. Anualmente somam 1,5 milhão de novos casos de perda da visão. Isso porque, a escassez de doações de córnea no mundo  faz com que só uma em cada 70 pessoas que precisam do transplante consiga passar pela cirurgia.

No Brasil, a situação não é tão grave, mas a fila de espera pelo procedimento aumentou no primeiro trimestre de 2019 quando comparada ao mesmo período de 2018.   O relatório da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) mostra que embora o número de cirurgias entre janeiro e março deste ano tenha se mantido praticamente estável em relação ao mesmo período de 2018,  a fila de espera totalizou 9442 inscritos contra 8772 no ano passado, perfazendo um aumento de 7,6%.

Causas

Para Queiroz Neto este avanço deve estar relacionado à crise econômica. No Brasil, comenta, a maior causa de transplante é o ceratocone, doença degenerativa na córnea que responde por 70% das cirurgias. O relatório da ABTO de 2018 mostra diminuição dos transplantes de córnea em relação a 2017. Esta redução coincide com a inclusão do crosslinking, cirurgia que interrompe a progressão do ceratocone, no rol de procedimentos dos planos de saúde, comenta o médico. “São poucos os hospitais públicos que realizam o procedimento” afirma.

Em um levantamento feito pelo médico com 315 portadores de ceratocone que passaram por esta cirurgia, 85% tiveram  interrupção da progressão da doença e 45% melhora da visão.

O especialista afirma que  o transplante só é indicado quando a camada interna da córnea, o endotélio, é afetado pelo ceratocone ou perfurações, úlceras, cicatrizes, síndrome de Steven Johnson  e distrofia de Fuchs. Isso porque,  estas células são irrecuperáveis e quando sofrem lesões tornam a córnea opaca.

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