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Energisa questiona universidade sobre perícia em medidores e abre polêmica com CPI
Sexta-feira, 13 Março de 2020 - 16:33 | Redação
Está aberta uma nova polêmica entre a concessionária Energisa e a CPI que apura o reajuste nas contas de energia elétrica em Mato Grosso do Sul. Os deputados alegam que a empresa está tentando intervir no trabalho da comissão. A concessionária nega e diz que não se opõe à investigação.
O problema começou quando a CPI tomou conhecimento de que a Energisa tentou contatos com a Universidade de São Carlos para questionar sobre a perícia técnica que será realizada em 200 medidores de energia de MS. A comissão notificou a concessionária para que “abstenha-se de entrar em contato com as entidades envolvidas na realização dos trabalhos de perícia” dos medidores.
“Essa tentativa de contato é inaceitável, demonstra um total desrespeito tanto à CPI quanto à Universidade, que fará um trabalho isento e não aceita interferência de nenhuma parte”, asseverou o deputado Felipe Orro, presidente da Comissão.
"Ressalte-se que, chegou ao conhecimento desta CPI que o representante técnico da empresa... entrou em contato com envolvidos nos trabalhos de perícia via whatsapp... contrariando o que foi deliberado em reunião... onde foram instados a não interferirem nos trabalhos a serem realizados pela CPI, sob pena de serem tomadas medidas judiciais cabíveis", escrevem os membros da CPI no ofício endereçado ao presidente da Energisa, Marcelo Vinhaes Monteiro.
A irritação dos deputados foi tamanha que Orro convocou uma entrevista coletiva para a próxima segunsa-feira, dia 16, às 10, na Assembleia. Ele promete apresentar provas da interferência da Energisa.
Conforme a CPI, a Universidade de São Carlos fará perícia em 200 medidores de energia que serão coletados entre os dias 18 e 26 deste mês. O sorteio dos equipamentos também será feito na segunda-feira.
Energisa - A Energisa, por sua vez, nega a tentativa de interferência e afirma que apenas está em busca de informações sobre o trabalho da universidade. A concessionária confirma ter encaminhado requerimento ao professor Rogério Andrade Flauzino para entender os procedimentos técnicos a serem adotados na aferição dos medidores contratada pela CPI.
“A concessionária protocolou na universidade um requerimento com perguntas técnicas sobre a metodologia realizada pela perícia e a qualificação da instituição para tal. A Energisa busca coletar informações acerca da acreditação dos laboratórios da USP São Carlos perante o INMETRO, que é o órgão que atesta a capacitação para manipular os medidores de energia das distribuidoras de energia elétrica. A ausência dessa acreditação torna a perícia inválida”, diz a Energisa em nota encaminhada ao Diário Digital.
Ainda de acordo com a concessionária, não houve proibição de contato pela comissão parlamentar. O ofício enviado para a Energisa foi posterior a tentativa de contato realizada pela empresa.
“A concessionária reitera que NÃO se opõe à investigação, tampouco à realização da prova técnica, mas que algumas informações são estritamente necessárias para que o processo tenha valor técnico e legal, e para que não gerem desperdício de recurso público”, afirma na nota. A Energisa alega que não obteve nenhuma resposta.
O requerimento – O requerimento encaminhado à Universidade ao qual o Diário Digital teve acesso é destinado ao Departamento de Engenharia Elétrica e de Computação e data do dia 12 de Março.
No documento, a concessionária questiona se a Universidade tem acreditação do Inmetro para realização de testes metrológicos, se tem certificados e se poderia apresentá-los. A empresa pede ainda a apresentação do procedimento (passo a passo) para realização da perícia.
A Energisa questiona ainda se a Universidade poderia indicar os critérios que serão adotados para a aprovação/reprovados da amostram entre outras perguntas.
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