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"Em nenhum momento se mostrou arrependido", diz testemunha sobre pai que assassinou criança
Segunda-feira, 09 Dezembro de 2019 - 17:39 | Redação
Um homem frio que teria premeditado o crime. Foi assim que as testemunhas de acusação descreveram Evaldo Christyan Dias Zenteno, de 21 anos, durante a 1° audiência sobre a morte do pequeno Miguel Henrique dos Reis Zenteno, realizada na tarde desta segunda-feira (9), no Fórum de Campo Grande. O menino de dois anos e onze meses foi afogado em uma bacia pelo próprio pai que confessou o crime.
O primeiro a ser ouvido foi um policial militar que na época atendeu a ocorrência. Em depoimento, ele relatou que Evaldo apresentou versões controversas sobre a morte do filho, o que levantou a suspeita da polícia. “Ele abaixava a cabeça e fingia que estava chorando, mas quando levantava o rosto, não havia lágrimas, mostrando ser muito frio”, disse o PM a assistência de acusação.
Abalada, a mãe de Miguel, que também foi ouvida, se esforçou para controlar a emoção durante a audiência. Thayelle Cristina Bogado dos Reis, de 21 anos, contou que estava separada do réu há pelo menos três meses, mas que ele não aceitava o fim do relacionamento. “O Evaldo me perseguia, entrava na minha casa, ficava mandando mensagens a cada meia hora. Eu tentava entrar num consenso com ele que depois disso passou a se mostrar um pai mais preocupado e eu dei mais credibilidade a ele”.
Thayelle explicou que o ex-marido com quem foi casada quase três anos nunca se mostrou uma pessoa perigosa e falava que queria ficar mais perto do filho, como um pai preocupado. O casal morou em Campo Grande durante seis meses, mas após a separação Thayelle voltou para Aquidauana (MS), onde mora com os pais.
Com a desculpa de fazer a mudança de sua casa, Evaldo pediu para trazer o filho para Capital, quando depois de dois dias com o menino cometeu o assassinato. “Eu não vou abaixar minha cabeça, vou lutar pela minha vida, fazer justiça pelo meu filho”, finalizou a mãe em seu depoimento.
A avó materna do menino, foi ouvida após uma solicitação feita pelo assistente de acusação e aceita pelo juiz durante a audiência. Segundo Daniele Cristina dos Reis, o neto pode ter sido vítima de maus tratos, uma semana antes de ser assassinado. Miguel estava com o pai quando sofreu um tombo, ao cair da cama, e foi levado ao Hospital Regional de Aquidauana. Porém, a avó acredita que tenha sido uma tentativa do réu de matar a criança.
O juiz vai requerer ao Hospital Regional a cópia do prontuário médico do paciente que deve ser analisado pelo Ministério Público Estadual. Caso a promotoria entenda que houve o crime de maus tratos, ele pode ser relacionado a denúncia de homicídio qualificado.
Ao todo durante a audiência foram ouvidas seis testemunhas de acusação. Dois policiais militares, um investigador da Polícia Civil, a mãe, o tio e a avó materna do menino. De cabeça baixa, Evaldo Christyan, só não acompanhou os depoimentos dos familiares do filho.
O réu aguarda o julgamento preso e deve ser ouvido no dia 17 de fevereiro, data em que será realizada a audiência de defesa.
O crime - Por não aceitar o fim do relacionamento com a ex-mulher, Evaldo Cristyan Dias Zenteno, disse no momento em que foi preso “que queria fazer ex-mulher sofrer” e que a mãe da criança o teria traído, por isso confessou ter matado filho no dia 19 de setembro, na casa dele, no Bairro Jardim Parati, em Campo Grande.
A polícia, ele contou na primeira versão que foi vítima de um assalto e os bandidos teriam levado a criança e jogado em córrego na Avenida Ernesto Geisel. Os policiais desconfiaram da história relatada pelo pai e o mesmo entrou em contradição várias vezes. Questionado, Evaldo acabou confessando que matou o menino.
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