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Depois da folia, o corpo pede mais atenção e especialista explica como aliviar a ressaca
Sintomas têm base fisiológica, envolvem inflamação, desidratação e sobrecarga hepática; automedicação pode trazer riscos
Segunda-feira, 16 Fevereiro de 2026 - 15:50 | Sandra Salvatierre

O Carnaval termina na avenida, mas seus efeitos seguem no organismo. Dor de cabeça latejante, enjoo persistente, tontura, boca seca e exaustão não são exagero dramático da manhã seguinte têm explicação bioquímica. A chamada ressaca alcoólica é resultado direto da ação tóxica do etanol e de seus metabólitos, mesmo quando o nível de álcool no sangue já caiu.
“A ressaca alcoólica é definida, sob o aspecto farmacológico e fisiológico, como um conjunto de sinais e sintomas resultantes dos efeitos tóxicos do etanol e de seus metabólitos”, explica Denise Basílio, coordenadora do curso de Farmácia da Universidade Estácio de Sá. Segundo ela, o organismo permanece em estado de desequilíbrio metabólico e inflamatório horas após o consumo.
O principal vilão é o acetaldeído, substância formada no fígado durante o processamento do álcool. “O etanol é metabolizado principalmente no fígado pela ação da enzima álcool desidrogenase, resultando na formação de acetaldeído, um metabólito altamente reativo e tóxico”, afirma Denise. Esse composto está associado a náuseas, cefaleia, rubor facial e mal-estar generalizado.
Além da toxicidade direta, o álcool desencadeia uma resposta inflamatória sistêmica, com aumento de citocinas pró-inflamatórias. O resultado é a combinação de fadiga, dores musculares e maior sensibilidade à luz e ao som. A dor pulsátil na cabeça também tem relação com vasodilatação cerebral e inflamação neurovascular.
A desidratação agrava o quadro. O álcool inibe o hormônio antidiurético, aumentando a eliminação de líquidos e eletrólitos. “Isso eleva a diurese e provoca perda de água e sais minerais”, destaca a especialista. Daí surgem fraqueza, tontura e boca seca. Já o desconforto gástrico costuma decorrer da irritação da mucosa do estômago e do aumento da secreção ácida.
O sono é outro fator determinante. Embora possa induzir sonolência, o álcool compromete a fase REM, essencial para a recuperação cerebral e consolidação da memória. Quando esse ciclo é prejudicado, o descanso não cumpre sua função restauradora, o que intensifica irritabilidade e dificuldade de concentração.

(Foto: Divulgação)
O que realmente ajuda
Não há fórmula mágica. A recuperação baseia-se em medidas de suporte. Hidratação adequada, preferencialmente com água e soluções eletrolíticas, é a principal recomendação. Alimentação leve, rica em carboidratos, auxilia na reposição energética, enquanto o repouso permite que o organismo restabeleça o equilíbrio.
O que exige cautela
A pressa por alívio pode levar à automedicação inadequada. O uso de paracetamol após ingestão alcoólica, por exemplo, eleva o risco de lesão hepática, já que o fígado já está sobrecarregado. Anti-inflamatórios podem intensificar a irritação gástrica e aumentar riscos renais. Medicamentos depressores do sistema nervoso central, como benzodiazepínicos, tornam-se ainda mais perigosos quando associados ao álcool.
Sinais como vômitos persistentes, confusão mental, dor abdominal intensa, sonolência excessiva, convulsões ou icterícia não caracterizam uma simples ressaca e exigem avaliação médica imediata.
Como evitar o problema
A prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz. Evitar beber em jejum, alternar álcool com água, manter alimentação adequada e respeitar limites individuais são medidas respaldadas por evidências científicas. Já o uso “preventivo” de medicamentos e a mistura com bebidas energéticas carecem de comprovação e podem ampliar os danos.
Passada a euforia, o organismo solicita equilíbrio. E, ao contrário da festa, a recuperação não admite exageros.
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