• Diretor de Redação Ulysses Serra Netto

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Delegado teria destruído provas para ocultar mandantes de assassinato

Quinta-feira, 18 Junho de 2020 - 20:49 | Redação


Preso na terceira fase de Operação Omertà deflagrada nesta quinta-feira, 18 de Junho, o delegado Márcio Shiro Obara teria destruído e ocultado provas para impedir que os  mandantes do assassinato de Ilson Martins de Figueiredo, executado a pedido da organização  criminosa chefiada por Fahd Jamil, fossem descobertos. A revelação consta dos autos do processo da ação policial cujo segredo de Justiça foi retirado nesta noite.

Obara foi preso junto com outras pessoas acusadas de envolvimento com as organizações criminosas lideradas por Fahd e Jamil Name. Segundo as investigações da força-tarefa da Omertà, as organizações são cumplíces em vários crimes tais como tráfico de armas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e homicídios.

Estabelecido em Ponta Porã, fronteira com o Paraguai, Fahd dava suporte a Jamil Name na  remessa e aquisição de armas, bem como no planejamento de homicídios, sendo um deles o de Ilson Martins, segundo as constatações da força-tarefa.

Quando atuava na Delegacia de Homicídios, Obara era o responsável por investigar o  assassinato de Ilson Martins, executado a tiros de grosso calibre em  11 de Junho de 2018, na Avenida Guaicurus, em Campo Grande, em plena luz do dia. O crime teria resultado de uma comunhão de esforços entre as organizações de Fahd e Jamil Name.

Após a execução, as organizações passaram a tentar impedir a investigação do crime e corromperam o delegado Márcio Shiro Obara, segundo os autos do processo. Ele teria recebido 100 mil reais entregues pelo ex-guarda municipal Marcelo Rios, ligado a organização de Name, e que está preso.

A partir daí, Obara passou a atuar para embaraçar as investigações. Ele teria, por exemplo, ocultado um dossiê encontrado no carro de Ilson no dia do crime. Os papéis continham 'prits' de conversa de WhatsApp na qual a vítima era avisada que sua morte havia sido autorizada em reunião na cidade de Ponta Porã. Os documentos ou pelo menos parte deles teriam sido destruídos.

O delegado teria restituído a um familiar de Ilson objetos encontrados com a vítima e que poderiam ajudar nas investigações, tais como uma 'caneta-espiã' e  cartões de memória sem que eles tivessem sido examinados ou periciados. As investigações apontam ainda para a devolução de papéis que não tinham cópias no inquérito policial, medidas tomadas para blindar os mandantes do crime.

Obara teria ainda agido para obstruir as investigações de um duplo assassinato, de Alberto Aparecido Roberto Nogueira e Anderson Celin Gonçalves da Silva, crimes que estariam ligados ao desaparecimento de Daniel Alvarez Georges, filho de Fahd Jamil. Ele não formalizou diligências para apurar a identidade dos mandantes do crime.

Além disso, o processo cita que Obara teria assediado delegados do Garras questionando onde  eles 'queriam chegar' ao investigar os crimes atribuídos às organizações de Fahd e Name.

Para ocultar o dinheiro recebido indevidamente a título de propina, Obara foi auxiliado pelo investigador Célio Rodrigues Monteiro, também preso nesta quinta-feira. Em setembro de 2019, o policial recebeu transferência  bancária de 50 mil reais com o qual comprou um imóvel vizinho à sua residência. Dois meses depois, recebeu ainda outra transferência de 10 mil, caracterizando como crime de lavagem de dinheiro.

As investigações apontam que o policial é ainda suspeito de outros crimes, como venda de munições de arma de fogo e corrupção, pois estaria recebendo propina sistematicamente. O policial dispõe de vários veículos à venda em uma garagem, o que demonstraria patrimônio incompatível com seus rendimentos como investigador.

Em nota oficial divulgada na tarde desta quinta-feira, a Polícia Civil informou que vai tomar as providências necessárias para o afastamento compulsório do delegado e do investigador presos na operação.

O número exato de presos na Omertà 3 ainda não foi divulgado pela polícia. O que se sabe, por enquanto, é que o  juiz Marcelo Ivo de Oliveira autorizou quatro prisões temporárias e 19 preventivas, entre as quais se incluem  as de Fahd Jamil e do filho dele Flavio Correio Jamil Georges. Ambos estão sendo procurados.

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