• Diretor de Redação Ulysses Serra Netto

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Crespas assumidas e muito mais felizes

Domingo, 28 Julho de 2019 - 10:12 | Redação


Mostrar ao mundo quem se é de verdade e viver mais feliz depois disso. É o que propõe o grupo Crespas e Cacheadas. As mulheres de ascendência afro estão cada vez mais unidas e articuladas para incentivar a aceitação racial. Segundo elas, exibir os cabelos naturais pode ter um efeito surpreendente, contribuindo para autoestima e empoderamento.

O grupo realizou o 4º Encontro Crespas e Cacheadas neste fim de semana no Shopping Bosque dos Ipês, em Campo Grande. Houve rodas de conversas, palestras de cabeleireiros e ainda apresentações musicais.

Uma das organizadoras do grupo a técnica de enfermagem e influenciadora digital Thami Di Carvi explica que a defesa dos cabelos crespos não é moda, mas sim um trabalho de formiguinha para ajudar outras mulheres a se aceitarem.

“E não se trata apenas de uma aceitação capilar, mas sim racial, de todas as suas características. A mudança tem que ser de dentro para fora. O cabelo é só exterior”, analisa. “Porém, não estamos defendendo a obrigação de ser crespa ou cacheada, mas sim a liberdade de ser aquilo que se tem vontade”, completa.

A própria Thami durante muitos anos castigou os cabelos naturais fazendo uso frequente de químicas para que ficassem lisos. “O problema não era só o cabelo. Eu não aceitava meu nariz, minha testa, minha cor. Vivia fazendo relaxamentos e progressivas nos cachos. Meu cabelo vivia todo quebrado e, além disso, ficava muito caro para mim”, relembra.

Foram 20 anos de luta rotineira contra suas raízes verdadeiras. “Eu deixava de sair de casa para lavar o cabelo, deixava de curtir a vida e tinha pouco dinheiro. Eu era refém da situação”, conta. A mudança veio aos 19 anos quando ela percebeu a nova atitude de outras mulheres de ascendência afro, especialmente nas redes sociais.

Mirando-se na coragem destas mulheres, ela decidiu mudar e se surpreendeu com a própria transformação interna. “Um dia cortei meu cabelo e passei a usar turbante. Muita gente até falou que o novo estilo ia dar trabalho, mas impressionantemente eu não me senti desanimada ou minorizada. Eu já tinha mudado por dentro. Só estava mostrando quem eu era. É um caminho que se faz sozinho. Hoje eu digo, se te faz bem alisar, então alise, contudo, eu sugiro que você dê uma chance a quem você é de verdade que poderá ser muito bom”, afirma.

Thami foi tão bem-sucedida em seu feito que acabou influenciando a irmã mais nova, Talita Di Carvi, de 24 anos, a assumir os crespos também. “Quando adolescente, eu não gostava do meu crespo porque as pessoas me zoavam. Chamavam de cabelo de Bombril, que poderia colocar na antena para fazer a TV pegar e outras coisas. Então, eu me esforçava para ficar diferente. Um dia, o cabeleireiro passou uma química no meu cabelo e ele quebrou na raiz. Foi um período difícil”, relembra.

Hoje, ela exibe orgulhosa os cachos coloridos de ruivo. A postura empoderada mudou também os olhos do mundo sobre ela. “As pessoas gostaram desse jeito. Sou muito mais elogiada hoje do que era antes quando tentava ser lisa”, compara. Para Thami e Talita, cuidar do cabelo afro tem ficado cada vez mais fácil. "Muitas se intimidam achando que vai ser difícil cuidar, mas não é. A indústria hoje tem produtos muito bons. Não há o que temer", afirma Thami.

Outra que voltou às origens e se sente muito mais leve sem a obrigação de alisar os cabelos é a supervisora administrativa Stephany Ferraz, de 29 anos. “Eu alisava desde os 14 anos, mas há dois voltei ao natural. Cansei dos processos químicos. As pessoas dizem que ficou melhor assim, que combinou mais comigo e eu também sinto isso. Então acho que a missão do nosso grupo é servir de referência para as meninas que estão em transição, incentivá-las e encorajá-las”, acredita.

O Crespas e Cacheadas de MS tem como inspiração o Encrespa Geral de São Paulo, um dos pioneiros no País. O grupo realiza encontro na Capital uma vez por ano mas, conforme, Juliana Dimas, organizadora do grupo, fora da data do evento, a movimentação das Crespas e Cacheadas continua nas redes sociais.

“Estamos no Face, Instagram e muitas de nós falam no Youtube. Sendo assim, estamos sempre prontas para servir de referencial para outras meninas. Sempre digo que o importante é se conhecer e se amar do jeito que você é e não do jeito que a sociedade impõe”, arremata.

Na Facebook, o perfil do grupo é Movimento de Crespos e Cachos de MS e no Instagram Blogueiras CG MS.

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