• Diretor de Redação Ulysses Serra Netto

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Comoção na Polícia Civil de MS

Quarta-feira, 10 Junho de 2020 - 10:55 | Redação


Pela primeira vez a coletiva à imprensa foi realizada na área externa da Delegacia Geral de Polícia Civil. Do púlpito e utilizando máscaras, a cúpula da DGPC esclareceu os detalhes da execução de dois policiais civis ocorrida no fim da tarde desta terça-feira (09) no bairro Itanhangá Park. Participaram da coletiva o delegado-geral da DGPC, Marcelo Vargas Lopes, e os delegados que participaram da investigação da morte dos investigadores Antônio Marcos Roque da Silva, de 39 anos, e Jorge Silva dos Santos, de 50.

Os policiais eram lotados na DERF (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos). Eles estavam em diligências para apurar um caso de roubo a uma joalheria e transportavam dois homens dentro um Fiat Mobi branco, que era uma viatura descaracterizada. Um dos que estava no banco traseiro era Wiliam Duarte Cormelato, de 30 anos, com mandado de prisão por violência doméstica. O outro era Ozéias Silveira de Morais, de 44 anos, conduzido até então como testemunha, motivo pelo qual não fazia uso de algemas e nem teria sido submetido a busca pessoal. Eles estavam a caminho da Derf para a tomada de depoimentos.

Ao parar no semáforo da Rua Joaquim Murtinho, no cruzamento com a Rua Bahia, os investigadores foram alvejados na cabeça, sem qualquer chance de defesa. Ozéias Silveira de Moraes levava consigo uma arma de fogo tipo revólver calibre 38, registrada em seu nome. Ele trabalhava como vigilante. De acordo com o delegado-geral da DGPC, Marcelo Vargas, ele não tinha sido algemado porque estava na condição de testemunha e, de acordo com a Lei de Abuso de Autoridade, essa é um situação em que algemas não são mais utilizadas. 

Os dois policiais vieram à óbito no local e o autor dos disparos fugiu. Ele abordou um veículo fazendo a motorista de refém e fez com ela dirigisse o veículo. Eles seguiram até a via lateral do Parque de Exposições de Exposições Laucídio Coelho, entrando na rua das Primaveras. Ozéias abandonou a vítima e o veículo próximo a um supermercado. Em seguida ele entrou em um táxi. O Outro homem que estava na viatura chegou a fugir também, mas foi capturado em seguida pela Polícia Militar e encaminhado para o Garras.

Diversas equipes da Polícia Civil, com apoio da Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal e Guarda Municipal, iniciaram as buscas logo após o ocorrido, adentrando a madrugada quando, por volta das por volta das 4h30 desta quarta-feira (10), o autor foi localizado na Rua Carmoquim, bairro Santa Emília. Ele teria apontado a arma de fogo para os policias e foi alvejado por três disparos, sendo socorrido a Santa Casa, onde veio a óbito.

A perícia técnica foi até o local e todas as testemunhas foram levadas ao Garras, onde foram colhidos seus depoimentos. Também foi apreendido um simulacro de pistola, bem como o revólver calibre 38 e a pochete de cor preta que o suspeito trajava no momento do assassinato dos policiais da Derf.

O caso foi registrado como homicídio qualificado (pela traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido), homicídio agravado por ter sido contra policiais exercício da função, roubo majorado pela restrição de liberdade da vítima, roubo majorado se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo e homicídio decorrente de oposição a intervenção policial.

Antônio Marcos Roque estava na Polícia Civil desde 2006. Ele foi sepultado em Coxim, sua cidade natal.  Jorge da Silva dos Santos era policial desde 2002 e seu sepultamento ocorreu em Campo Grande.

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