• Diretor de Redação Ulysses Serra Netto

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Americanos se preocupam mais com notícias falsas do que com terrorismo

Sábado, 15 Junho de 2019 - 10:21 | Redação


Uma recente pesquisa feita pelo Pew Research Center, instituto de pesquisa norte-americano entre 19 de fevereiro e 4 de março, descobriu um dado surpreendente. Dos 6.127 entrevistados, 68% afirmaram que as fake news (notícias falsas) têm grande impacto na confiança no governo, representando uma preocupação maior do que a imigração ilegal, o racismo e a misoginia.

A confiança das pessoas nas outras também é influenciada pelas informações fraudulentas, de acordo com 54% dos participantes. Os políticos são os mais culpados pela desinformação do que os jornalistas, de acordo com o estudo. Mas, são esses os profissionais capazes de promover algum tipo de mudança. O pessimismo com o futuro domina boa parte das afirmações dos participantes.

De acordo com 53% dos entrevistados, os jornalistas são os principais responsáveis por resolver o problema das fake news. Esse assunto só deveria recair sobre o governo e para as empresas de tecnologia para 12% e 9% dos entrevistados, respectivamente.

As empresas de tecnologia, no entanto, recebem críticas de diversos especialistas em mídia e comunicação por não serem rígidas o suficiente para coibir a disseminação de informações falsas e distorção de dados.

O professor Evgeny Morozov, PhD em Harvard, é um dos que defendem uma maior regulamentação, com multas para aquelas corporações que permitirem a disseminação desse tipo de conteúdo, além da criação de um conselho independente, para definir o que seria verdade ou não.

O assunto das notícias falsas se tornou amplamente debatido nas eleições dos EUA (2016), quando a Cambridge Analytica coletou dados de milhões de americanos pelo Facebook, sem o consentimento do usuário, e mais recentemente no Brasil nas eleições presidenciais de 2018, com grupos políticos criando notícias falsas difundidas pelo Whatsapp. O debate está em voga há alguns anos, com alertas de organismos internacionais e a realização de congressos com especialistas em comunicação, estudantes de faculdade de jornalismo e empresas de tecnologia.

Do total de entrevistados, 79% dos americanos em idade adulta e acreditam que alguma ação deveria ser tomada para reduzir a desinformação e 20% acham que as esse tipo de comunicação deveria ser protegida. Apesar dos dados não serem tão animadores, a pesquisa do Pew Research Center indica que os americanos estão mais conscientes sobre o hábito de consumo de notícias e procuram checar a veracidade das informações sempre que possível.

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