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Alfaiataria é legado de pai para filho
Sexta-feira, 06 Setembro de 2019 - 13:55 | Redação
Na data 6 de Setembro celebra-se o Dia do Alfaiate. A alfaiataria esteve entre as profissões em risco de extinção, mas que se manteve graças à resistência dos profissionais e também da própria moda que vai e volta. Os trajes sob medida ainda estão no gosto das pessoas, garante o alfaiate Reinaldo Fernandes, que aprendeu o ofício com pai e segue no ramo.
Reinaldo Fernandes é alfaiate há mais de 20 anos e junto com o seu pai têm mantido essa tradição em família. Gerineldo Fernandes pai de Reinaldo conheceu a alfaiataria através do seu irmão na época de solteiro em Aquidauana.
Há 54 anos, Gerineldo cria vestimentas de forma artesanal e tem clientela fiel até hoje. Ele conta que quando começou trabalhar como alfaiate não tinha muitos tecidos. Assim, Gerineldo trabalhava apenas com o algodão e linho. O alfaiate relata que uma das coisas que mais o marcou foi trabalhar com um alemão em Aquidauana. “Esse meu patrão ficou rico com a alfaiataria. Eu aprendi a alfaiataria na empresa dele e trabalhei 20 anos com ele”, relembra.
Gerineldo se manteve sempre na profissão, mas o filho Reinaldo tentou mudar, pois ao longo do tempo, devido à indústria, a profissão já não era mais a mesma. “Na década de 70, a alfaiataria era o auge. E ao longo dos anos ouvíamos falar da China que estava do outro o lado do mundo e produzia roupas e isso foi acabando com a profissão. Eu fui gerente de fábrica, e na fábrica cinco costureiras junto com os ajudantes faziam 25 ternos por dia. É difícil competir com isso”, ressalta o alfaiate.
O alfaiate acredita que hoje a profissão esteja voltando. “A moda vai e volta. Hoje as pessoas querem a perfeição e ter uma roupa feita sob medida é uma questão por muitas vezes de vaidade. Por isso, nossa profissão está voltando”, disse Reinaldo.
“Minha vida” - A inspiração do Reinaldo foi o seu pai que, por meio da costura, conseguiu casar, constituir uma família e adquirir uma casa. “Eu lembro que quando eu tinha 8 anos eu já acendia o ferro de passar roupa e com 15 anos de idade já montei minha própria alfaiataria. Meu pai me deu uma tesoura, réguas e a cadeira para começar o meu negócio”, disse Reinaldo.
O alfaiate conta que seu pai ganhava em torno de 10 salários mínimos e criou os três filhos graças à profissão. “Eu sou alfaiate, minha irmã e minha mãe são costureiras e meu irmão tapeceiro. A costura está no nosso sangue”, valoriza.
Hoje, o senhor Gerineldo cuida da sua esposa que tem saúde frágil, mas mesmo assim ainda tem clientes que ele não abre mão. “Tenho clientes antigos e faço as roupas sob medidas pra eles, porque para comprar às vezes é muito caro”, relata.
O alfaiate Gerineldo afirma que a alfaiataria é sua vida. “Ver que o meu filho continuou aquilo que eu comecei é um orgulho. Eles vivem da profissão, isso mostra que ainda podemos viver através da profissão”, finaliza.
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