• Diretor de Redação Ulysses Serra Netto

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Alcidinópolis, a cidade do saber

Segunda-feira, 27 Maio de 2019 - 14:30 | Redação


Bem-vindo à Alcidinópolis, uma cidade colorida construída dentro da Escola Municipal Alcídio Pimentel, na Vila Carvalho, em Campo Grande. Inicialmente, o espaço foi pensado para ensinar os alunos sobre trânsito, dentro das atividades do Maio Amarelo. Porém, a ideia cresceu e surgiu no pátio do estabelecimento de ensino um laboratório a céu aberto para aulas práticas de artes, matemática, geografia, inglês e outras disciplinas.

A pequena cidade tem quitanda, mercado, sorveteria, livraria, praça, hospital, posto policial e, claro, ruas muito bem sinalizadas para serem frequentadas, sem riscos, por motoristas, ciclistas e pedestres. As vias, aliás, foram projetadas com a ajuda de engenheiros de trânsito da prefeitura que orientaram sobre o sentido do tráfego e sinalização vertical e horizontal.

Todas as fachadas dos estabelecimetos e placas de rua têm os nomes em português e inglês, tão logo lê-se mercado - market; livraria - book shop; floricultura - flower shop e assim por diante. As casas foram feitas em drywall, material produzido a partir do gesso e revestido de cartão duplex, resistente à chuva.

A própria escola Alcídio Pimentel foi pintada no muro, assim como a tradicional escola de samba Vila Carvalho, que fica na comunidade, também está presente em Alcidinópolis.

No comércio, os estudantes aprendem sobre economia, comprando e vendendo mercadorias diversas. Os professores se deram ao trabalho de imprimir notas de dinheiro ilustrativas, para deixar a artividade ainda mais perto da realidade. O espaço também é propício para as aulas de educação física das séries iniciais, quandos os professores podem trabalhar noções de lateralidade com os pequenos. 

Quem visita Alcidinópolis se encanta com os detalhes. Cada cantinho tem um charme especial. "Com a ajuda de toda a comunidade escolar fizemos uma sala de aula ao ar livre convidativa aos alunos, para deixar o aprendizado mais gostoso", explica a diretora Luciana Cristina Lopes Dantas.

Conforme mencionou Luciana, a cidade foi construída pelas mãos de toda a comunidade escolar. Pais e professores doaram os materiais usados para fazer as estruturas e a tinta para pintar a cidade. A responsabilidade pelos desenhos e pinturas foi da professora de Artes Rayanna Valeriano de Oliveira, porém, vários outros professores ajudaram a colorir os desenhos.

"Para fazer algo deste tamanho, precisamos de muita gente envolvida. Acabei dando aula de artes para outros professores também", brinca. Rayanna diz que o novo espaço vai ajudar muito em suas aulas. "Aqui posso ensinar teoria das cores, falar sobre as cores primárias e secundárias, por exemplo", enaltece.

A cidade edificada para encantar é motivo de festa entre os alunos que se esbaldam nas várias possibilidades do espaço. Iolanda de Oliveira Lacerda, de 9 anos, é aluna da quarta série e conta seu principal aprendizado em Alcidinópolis. "Para andar no trânsito tem que observar e respeitar as placas, sendo pedestre ou motorista", explica a menina.

Davi Lopes, também de 9 anos e quarta série, conta que pretende dirigir carros um dia e que, por isso, presta atenção em tudo o se ensina na cidade. "A gente tem que respeitar a placa de PARE e prestar bastante atenção, se não podem acontecer acidentes", afirma.

Lizy Gabriele, de 8 anos, gostou de aprender sobre trânsito, mas destaca outras lições. "Aqui usamos esse dinheiro para comprar as coisas", diz a menina mostrado as notas confeccionadas para serem usadas no comércio de Alcidinópolis.

Estudam na Alcídio Pimentel 450 alunos da Educação Infantil ao 9º ano. Na Educação Infantil, aliás,  este é o primeiro ano de atendimento em tempo integral. São oferecidas atividades de judô, iniciação ao atletismo, música, teatro, artesanato e inglês. 

Prêmio - A coordenadora da escola Eva Adriana Barbosa já conquistou vários prêmios por ter idealizado projetos de educação para o trânsito. Atualmente, ela está no Canadá por ter sido classificada, no ano passado, no prêmio “Professores do Brasil”, do Ministério da Educação. Na época, a professora atuava na Escola de Tempo Integral Ana Lucia de Oliveira Batista.

O trabalho surgiu da observação de posturas erradas de pais que levavam alunos para a escola, tais como crianças no guidão da bicicleta, no banco da frente do carro e sem cinto de segurança. Os estudantes, de forma lúdica, passaram a atuar como agentes de trânsito e multavam pais que cometiam alguma infração. Foi criado até um folheto com os pontos que os pais perdiam cometendo cada infração.

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