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Advogado diz que policial recebeu empréstimo de delegado

Sexta-feira, 19 Junho de 2020 - 17:52 | Redação


Em meio a uma investigação que revelou a suposta corrupção de agentes da segurança pública de Mato Grosso do Sul que fariam parte de um grupo de extermínio está o nome de dois policiais civis presos nesta quinta-feira (18), durante a terceira fase da Operação Omertà. O delegado Márcio Shiro Obara, acusado de esconder provas na apuração de assassinato mediante pagamento de propina de R$ 100 mil e o investigador Célio Rodrigues Monteiro, suspeito de ajudar no esquema, lavando dinheiro.

Conforme denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), para ocultar o dinheiro recebido indevidamente a título de propina, enquanto estava à frente da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios),  Obara foi auxiliado pelo investigador Célio Rodrigues Monteiro, lotado na mesma delegacia, fazendo uma transferência bancária, em setembro de 2019, no valor de R$ 50 mil  ao policial que comprou um imóvel vizinho à sua residência. Dois meses depois, recebeu ainda outra transferência de R$10 mil, caracterizando como crime de lavagem de dinheiro.

O advogado do investigador que segue preso na Derf (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos), classificou a prisão preventiva de Célio como exagerada e desnecessária. Ao Diário Digital, Rui Gibim Lacerda, informou que o cliente havia feito apenas um “empréstimo com o delegado e houve a devolução dos R$50 mil”. Sobre a outra transferência, o advogado alegou se tratar de negócios. “Ele fez uma venda de um objeto ao delegado Obara que pagou o valor. Temos as notas fiscais e tudo foi feito de maneira lícita”.

As investigações apontam que o policial é ainda suspeito de outros crimes, como venda de munições de arma de fogo e corrupção, pois estaria recebendo propina sistematicamente e até peculato, ao retirar um ar-condicionado da delegacia para instalar em sua residência. Segundo o Ministério Público, Célio dispõe de vários veículos à venda em uma garagem, o que demonstraria patrimônio incompatível com seus rendimentos como investigador.

Em relação ao crime de peculato, a defesa nega que o ar-condicionado pertencesse ao Estado. “Célio ganhou o ar-condicionado de um terceiro, não era do estado, foi uma doação da pessoa para ele”, argumentou Rui.

O advogado deve entrar com pedido de revogação da prisão ou habeas corpus nos próximos dias.

A reportagem tentou entrar em contato com o advogado que faz a defesa do Delegado Márcio Shiro Obara, mas as ligações não foram atendidas.

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