• Diretor de Redação Ulysses Serra Netto

Economia

Servidores querem suspender descontos para o Banco Master

Federação Sindical já fez apelo ao governo do Estado e prefeitura de Campo Grande

Quinta-feira, 05 Março de 2026 - 14:25 | Redação


Servidores querem suspender descontos para o Banco Master
(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

A Federação Sindical dos Servidores Públicos Estaduais e Municipais de Mato Grosso do Sul (Feserp/MS) quer a suspensão dos descontos de consignação em folha de pagamento (crédito consignado) vinculados ao Banco Master. O pedido foi feito ao governo do Estado e prefeitura de Campo Grande (MS).

A presidente da entidade, Lilian Fernandes, falou sobre o assunto na Tribuna da Câmara Municipal, durante a sessão ordinária desta quinta-feira, dia 5. A medida se deve a preocupações relacionadas ao superendividamento em massa de servidores, à movimentação de recursos e à eventual exposição de valores vinculados à administração pública no banco que entrou em liquidação extrajudicial.

Conforme a sindicalista, em outros estados e capitais  esses descontos dos pagamentos de consignados foram suspensos. A presidente da Federação citou que Campo Grande tem um decreto sobre as consignações e, dentre os requisitos para poder descontar na folha dos servidores, consta a exigência de regularidade, como ter sede em Campo Grande e autorização regular do Banco Central, exigências atualmente não atendidas pelo Banco Master.

Servidores querem suspender descontos para o Banco Master
Lilian Fernandes, presidente da Feserp/MS (Foto: Izaias Medeiros/Agência Brasil)

“É um pedido necessário. Os servidores não têm sequer como entrar em contato com o banco”, disse Lillian Fernandes. Ela informou que foi apresentado requerimento à prefeitura, mas a Federação não obteve a resposta. “Nós buscamos a proteção patrimonial do salário desses servidores. A gente pede auditoria nos contratos que esses servidores assinaram”, afirmou a presidente, acrescentando ainda sobre a necessidade de o Município atender ao que consta no decreto.

O pedido de suspensão refere-se ao Banco Master, diante das suspeitas de fraudes bilionárias no País, como emissão de títulos e carteiras de crédito falsos para captar dinheiro de investidores. Em 2025 o banco foi liquidado pelo Banco Central do Brasil.

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal em São Paulo durante a  terceira fase Operação Compliance Zero que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras.

A operação apura "possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa".

Servidores querem suspender descontos para o Banco Master
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master (Foto: Divulgação)

Segundo a Polícia Federal, o esquema financeiro envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação é uma referência à falta de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.

As investigações indicam que o caso do Master pode representar a maior fraude financeira já praticada no país. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) estima, por exemplo, que os ressarcimentos a clientes prejudicados devem ultrapassar os R$ 50 bilhões.

O processo foi parar no Supremo em novembro, após surgirem indícios de envolvimento de autoridades com foro privilegiado. Contudo, até o momento não figuram pessoas com foro no STF entre os investigados.

O Diário Digital buscou contato com a prefeitura de Campo Grande e o governo do Estado via assessoria de imprensa e aguarda resposta sobre o pedido da entidade sindical. O espaço segue aberto.

(Com informações da Agência Brasil)

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