Economia
MS atinge 136,6 mil empresas; indica pesquisa da Serasa Experian
Empresas inadimplentes acumulam cerca de R$ 4,09 bilhões em dívidas no estado
Sexta-feira, 02 Outubro de 2026 - 13:05 | Redação

Mato Grosso do Sul enfrenta um cenário de atenção para empresas, produtores rurais e famílias diante do avanço do endividamento e da inadimplência. Segundo os Indicadores de Inadimplência de Julho da Serasa Experian, o Estado chegou a 136,6 mil empresas inadimplentes, que acumulam aproximadamente R$ 4,09 bilhões em dívidas. Na comparação com julho de 2025, houve crescimento de 25,7% no número de CNPJs inadimplentes e de 45% no volume de débitos.
Mato Grosso do Sul responde por cerca de 1,5% das empresas inadimplentes do país e ocupa a 16ª posição entre os estados com maior número de empresas nessa situação. A dívida média por CNPJ também aumentou: passou de R$ 25.962,53 para R$ 29.943,06 em 12 meses, alta de 15,3%.
O problema também alcança o setor rural. Levantamento da Aprosoja-MS realizado em agosto aponta que 27,6% dos financiamentos dos produtores rurais eram considerados problemáticos, praticamente o dobro dos 13,9% registrados 18 meses antes.
Entre as famílias, a inadimplência também permanece elevada. De acordo com o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, o índice de inadimplência da pessoa física em Mato Grosso do Sul chegou a 60,86%. Bancos e cartões de crédito representam 28,32% das dívidas, seguidos por financeiras (17,95%), contas de água, luz e gás (17,86%) e serviços (14,09%).
Para o economista e diretor de Projetos da Agricon Consultoria, Fábio Ferreira Júnior, os números revelam um cenário que ultrapassa a dificuldade financeira individual de empresas ou consumidores. “Estamos vivendo um momento que exige atenção. Endividamento, inadimplência, custo elevado do crédito e redução da confiança acabam pressionando tanto a capacidade de consumo das famílias quanto a capacidade de investimento das empresas. Esse processo pode gerar um efeito econômico importante: quando famílias reduzem o consumo e empresas diminuem os investimentos, a demanda enfraquece, pressionando receitas, emprego e renda.”
Recuperação judicial também entra no radar- Além da inadimplência, parte das empresas sul-mato-grossenses já recorre à recuperação judicial como mecanismo de reorganização financeira. No segundo trimestre de 2026, Mato Grosso do Sul registrou índice de 3,2 no Indicador de Recuperação Judicial (IRJ), acima da média nacional de 2,3.
O Estado contabilizava 144 empresas em recuperação judicial, com concentração principalmente entre micro e pequenas empresas. As microempresas representam 37,7% dos casos, seguidas pelas médias empresas, com 29,8%, e empresas de pequeno porte, com 25,4%.
Na avaliação de Fábio Ferreira Júnior, o momento exige decisões financeiras mais individualizadas. “Nem toda empresa ou produtor enfrenta a mesma realidade. Mais do que simplesmente buscar crédito, é fundamental avaliar a capacidade de pagamento, o fluxo de caixa, o mercado de atuação e a finalidade do recurso. Em um cenário de maior restrição financeira, decisões econômicas bem estruturadas podem ser determinantes para preservar a saúde financeira e criar condições para a retomada dos investimentos.”
O ambiente também repercute sobre o consumo. A Agricon aponta que a manutenção da Selic em patamar elevado, somada à inadimplência e à queda da confiança do consumidor, reduz o poder de compra das famílias e pode enfraquecer a demanda agregada.
Para o economista, o desafio está em evitar que o aumento do endividamento se transforme em um ciclo mais amplo de retração econômica. “É preciso cautela, planejamento e uma análise individualizada. Para algumas empresas, a prioridade pode ser reorganizar dívidas e preservar caixa; para outras, pode ser necessário investir para ganhar produtividade. O importante é entender a realidade financeira do negócio antes de tomar novas decisões de crédito ou investimento.”
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