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Economia

Cesta básica exige 109 horas de trabalho e consome 53,9% da renda na Capital

Valor recuou 4,37% em julho, passando a custar R$ 809,08, mas acumula alta de 4,28% no ano

Terça-feira, 11 Agosto de 2026 - 07:00 | Sandra Salvatierre


Cesta básica exige 109 horas de trabalho e consome 53,9% da renda na Capital
O café em pó ficou mais barato em 23 capitais. Campo Grande registrou a maior redução mensal, de 5,19%, seguida por Aracaju, com 3,74%. (Foto: Divulgação)

O preço da cesta básica de alimentos caiu 4,37% em Campo Grande (MS) entre junho e julho de 2026, passando a custar R$ 809,08, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mesmo com a retração mensal, o valor acumula alta de 4,28% no ano e avanço de 4,30% em 12 meses.

Queda alcança 26 capitais

O recuo registrado em Campo Grande acompanha o movimento observado na maior parte do país. Em julho, o custo do conjunto de alimentos básicos diminuiu em 26 das 27 capitais pesquisadas pelo DIEESE e pela Conab. A única elevação ocorreu em São Luís, onde o aumento foi de 0,30%.

As reduções mais expressivas foram verificadas em Natal (-7,95%), Maceió (-7,87%), Belo Horizonte (-7,44%), Palmas (-7,38%) e Rio de Janeiro (-7,12%).

São Paulo apresentou a cesta mais cara do país, com valor de R$ 915,01, seguida por Cuiabá (R$ 881,27), Florianópolis (R$ 860,73) e Rio de Janeiro (R$ 855,37). Entre as capitais do Norte e Nordeste, os menores valores foram encontrados em Aracaju (R$ 594,07), Maceió (R$ 618,60), Natal (R$ 631,51) e João Pessoa (R$ 644,04).

Apesar da queda mensal, a comparação entre julho de 2025 e julho de 2026 mostra que a cesta ficou mais cara em 22 capitais. No acumulado de janeiro a julho deste ano, todas as 27 cidades pesquisadas registraram aumento.

Salário mínimo ainda compromete quase metade da renda

Considerando o maior valor registrado em julho, em São Paulo, o DIEESE estimou que o salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.687,01, equivalente a 4,74 vezes o piso nacional de R$ 1.621,00.

Em junho, a estimativa havia alcançado R$ 8.110,92. Em julho de 2025, o valor necessário era de R$ 7.274,43.

O tempo médio necessário para comprar a cesta nas 27 capitais também diminuiu. Em julho, foram necessárias 100 horas e 24 minutos de trabalho, contra 105 horas e 51 minutos em junho. No mesmo mês de 2025, a jornada média exigida era de 103 horas e 40 minutos.

Quando considerado o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, o trabalhador comprometeu, em média, 49,34% da renda para adquirir os alimentos básicos. Em junho, o percentual era de 52,02%; em julho de 2025, de 50,94%.

Batata, tomate e café puxam queda

Entre junho e julho, a batata teve redução de preço em todas as capitais do Centro-Sul onde é pesquisada. As quedas variaram de 31,12%, em Brasília, a 15,55%, em Cuiabá. A maior oferta, impulsionada pela safra de inverno e pela melhora da produtividade, contribuiu para a desvalorização do produto.

O tomate também apresentou redução na maioria das cidades. A exceção foi São Luís, com alta de 0,28%. No acumulado de 12 meses, o preço caiu em 21 capitais.

O café em pó ficou mais barato em 23 capitais. Campo Grande registrou a maior redução mensal, de 5,19%, seguida por Aracaju, com 3,74%.

Por outro lado, o preço do leite integral subiu em 21 capitais. Em Campo Grande, houve queda de 2,41%. A desaceleração da produção da matéria-prima, associada às baixas temperaturas no campo, contribuiu para sustentar as cotações do leite UHT.

Campo Grande

Na capital de Mato Grosso do Sul, 10 dos 13 produtos que compõem a cesta básica ficaram mais baratos em julho.

As maiores reduções foram observadas na batata (-26,13%), no tomate (-18,60%), no feijão carioca (-7,91%), no açúcar cristal (-7,54%) e no café em pó (-5,19%).

Também apresentaram queda a manteiga (-2,47%), o leite integral (-2,41%), a banana (-1,72%), o óleo de soja (-1,55%) e a farinha de trigo (-0,46%).

Na direção oposta, três itens registraram aumento: arroz agulhinha (1,25%), carne bovina de primeira (0,67%) e pão francês (0,44%).

Apesar da retração mensal, alguns produtos acumulam aumentos significativos em Campo Grande. Nos últimos 12 meses, a batata subiu 50,12%, enquanto o feijão carioca avançou 38,68%. A carne bovina de primeira teve alta de 7,42%, o pão francês, de 2,87%, e o tomate, de 1,10%.

No acumulado de 2026, os maiores aumentos foram registrados pelo tomate, com 60,27%, pela batata, com 47,55%, e pelo feijão carioca, com 39,09%.

Trabalhador precisa de quase 110 horas para comprar alimentos

Em julho, o trabalhador de Campo Grande que recebe o salário mínimo de R$ 1.621,00 precisou trabalhar 109 horas e 49 minutos para adquirir a cesta básica.

O tempo representa uma redução em relação a junho, quando foram necessárias 114 horas e 50 minutos. Em julho de 2025, eram exigidas 112 horas e 26 minutos.

Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, a compra da cesta consumiu 53,96% da renda do trabalhador em julho. Em junho, esse comprometimento era de 56,43%; um ano antes, chegava a 55,25%.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo DIEESE em parceria com a Conab. A ampliação do levantamento para as 27 capitais brasileiras ocorreu a partir da parceria firmada entre as instituições em 2024. 

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